Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo. Para...
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
O acordo de Macau rasgado pela China
Francisco Sarsfield Cabral
Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente J. Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do partido comunista chinês.  Na passada terça-feira o jornal “Público” dedicou quatro páginas à atual situação em Macau. Dois jornalistas (Hugo Pinto e...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Breves
Alexandra Borges da Global Media
A jornalista Alexandra Borges vai ser directora de grande reportagem e investigação da Global Media, revelou aquele Grupo em comunicado.
“A terceira jornalista mais influente de Portugal de acordo com o um estudo da Universidade Católica (2019) e antiga jornalista da TVI chegou a ter um programa de investigação com o seu nome que foi um sucesso de audiências. Agora, abraça um novo desafio profissional a convite do Presidente do GMG”, afirmou a administração do Grupo numa nota interna, citada pela “Meios e Publicidade”.
“O jornalismo independente, escrutinador e de qualidade, assim como a aposta em conteúdos digitais são a via traçada para o Global Media Group. Estamos a reforçar o GMG com os melhores profissionais para que, em conjunto com a grande equipa existente, façamos melhor”, escreveu, por sua vez, Marco Galinha, presidente do GMG, nas redes sociais.
De acordo com Marco Galinha,  a ex-jornalista da TVI “contará com uma equipa própria e absoluta independência para realizar peças jornalísticas de grande fôlego que estarão disponíveis em todas as plataformas do GMG”.
 
Administração da Lusa

O conselho de administração da Lusa -- que é, actualmente, presidido por Joaquim Carreira -- ficou completo com a entrada das administradoras Maria João Araújo e Carla Baptista, nomes indicados pelos ministérios das Finanças e Cultura, respectivamente.

De acordo com informação da Lusa, Maria João Araújo irá exercer funções de vice-presidente do conselho, enquanto Carla Baptista será vogal.

As novas administradoras juntam-se, assim, a Paulo Saldanha, em representação da NP – Notícias de Portugal, e Helena Ferro Gouveia, em nome da Global Media.

“Workshop” de análise de dados

 Cerca de 400 jornalistas de 58 países participaram no "workshop" "Hands-on Data Journalism: Techniques of Analysis and Visualization”, promovido pelo Knight Center e leccionado por John Keefe, responsável pelos gráficos climáticos da CNN.

Através deste curso -- que decorreu entre 31 de Maio e 27 de Junho -- os participantes adquiriram competências a nível da análise de informação gráfica, e foram incentivados a criar as suas próprias bases de dados.

Os alunos destacaram o “ambiente confortável” e “encorajador” proporcionado por John Keefe, que, ao longo do “workshop”, “trabalhou para desmistificar conceitos complexos”, para que fossem “compreendidos por todos os presentes”.

Os interessados podem, agora, aceder a alguns dos recursos leccionados neste “workshop”, consultando a plataforma do Knight Center.

Violência contra jornalistas

O canal de notícias francês BFMTV vai apresentar uma queixa contra os cidadãos que ameaçaram os seus colaboradores, durante uma manifestação em Paris.

De acordo com a jornalista Aurélie Casse, dois dos profissionais foram, mesmo, alvo de tentativa de agressões físicas. “Este é um comportamento inaceitável, que a redacção da BFMTV condena e que irá ser alvo de uma denúncia”, acrescentou.

O repórter Igor Sahiri acrescentou, por sua vez, que a violência física foi evitada graças a dois agentes de segurança do canal. “Felizmente, nenhum dos nossos jornalistas foi agredido. Por outro lado, fomos alvo de uma corrente de ódio. Basicamente, estão a culpar-nos por narrarmos os factos”.

Esta é a segunda vez que a equipa da BFMTV é alvo de insultos durante a cobertura de manifestações. O primeiro incidente, recordou o jornal “Le Figaro”, ocorreu durante o movimento dos “coletes amarelos”, no final de 2018.

Prémio de Jornalismo Móvel

A Agência EFE e a Universidade Aberta da Catalunha (UOC) convocaram a II edição do Prémio Internacional de Jornalismo Móvel EFE-UOC.

Nesta segunda edição, os organizadores do concurso procuram “trabalhos jornalísticos realizados através de dispositivos móveis", que reflictam o equilíbrio entre tecnologia e comércio.
O prémio é composto por três categorias distintas : estudante --para maiores de 18 anos, que estejam a tirar uma licenciatura, pós-graduação ou mestrado na área da comunicação--; profissional -- para jornalistas que tenham publicado artigos de jornalismo móvel nos últimos 18 meses; e Prémio Vueling -- da categoria especial de Jornalismo de Viagem Móvel.
Os vencedores nas categorias estudante e profissional receberão mil euros, além de um vale de 500 euros para bilhetes de avião. O vencedor do Prémio Vueling receberá, por sua vez, 1500 euros em milhas aéreas.
Podem candidatar-se, até 8 de Setembro, estudantes portugueses que estejam a concluir o curso em Espanha, ou profissionais que colaborem com “media” espanhóis.

Agenda
23
Ago
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
Connosco
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Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

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Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

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O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fez 87 insultos à imprensa do país entre Janeiro e Junho deste ano, um crescimento de 74% relativamente ao segundo semestre de 2020, segundo relatório divulgado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Para os RSF, trata-se de um incremento “quase vertiginoso” dos ataques do líder brasileiro, que adoptou um sistema de insultos aos ‘media’, no qual três dos seus filhos, membros do legislativo nacional e regional, também participaram activamente.

Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, foi o autor de 83 ataques à imprensa no primeiro semestre do ano, Eduardo Bolsonaro, deputado federal, foi responsável por 85 insultos aos ‘media’ brasileiros, enquanto o senador Flávio Bolsonaro atacou o jornalismo 15 vezes.

No total, o “sistema Bolsonaro”, conforme descrito pelos RSF, foi responsável por 331 ataques à imprensa no Brasil, um aumento de 5,41%, quanto ao segundo semestre de 2020.

A associação destaca, no entanto, que alguns dos membros do governo começaram, também, a aderir a este tipo de retórica.

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A imprensa do Reino Unido tem acompanhado de perto os Jogos Olímpicos, dando destaque a todas as vitórias e conquistas dos atletas britânicos. Assim, a grande maioria dos jornais tem dedicado as suas primeiras páginas aos desportistas, com manchetes em jeito de celebração.

Esta tendência dos “media” está a ser acompanhada pelo “Guardian”, que, recentemente, publicou um artigo de análise, focando-se nas escolhas editoriais dos principais títulos britânicos.

O “Guardian” começa por recordar as suas opções para a edição de 26 de Julho, que incluíram a manchete “segunda-feira mágica”, e fotografias de alguns dos atletas medalhados. O jornal “i” optou pelo mesmo título.

O “Daily Express” escolheu um caminho diferente, dividindo a capa entre as conquistas olímpicas e uma história de violência contra as autoridades policiais.

No caso do “The Times”, apenas um terço da capa foi dedicada aos atletas medalhados, à semelhança do “Independent”, que deu, também, destaque aos seus artigos de opinião, além do crescimento dos casos de infecção por coronavírus.

Já o “Financial Times” deixou de lado as fotos no “podium” e optou por uma fotografia da prova dos mergulhadores Tom Daley e Matty Lee, com a manchete “mergulhando por ouro”.

O jornal gratuito “Metro” escolheu, por sua vez, uma foto de Tom Daley com os olhos em lágrimas, sob a manchete “choros dourados”.

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Em 19 de Junho de 2021, a tragédia humanitária provocada pela pandemia da Covid-19 chegou à marca de meio milhão de vítimas no Brasil. Nesse mesmo dia, os apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo, leram um editorial crítico do governo de Bolsonaro.

No final dessa edição, William Bonner afirmou: “Tudo tem vários ângulos e todos devem ser sempre acolhidos para discussão, mas há excepções. Quando estão em perigo coisas tão importantes como o direito à saúde, por exemplo, ou o direito de viver numa democracia, em casos assim não há dois lados. E é esse o norte que o jornalismo da Globo continuará a seguir” .

Segundo notou Samuel Pantoja Lima num texto publicado no “Observatório da Imprensa”, esta declaração veio abrir um debate sobre os valores basilares do jornalismo: a isenção e a objectividade.

Conforme recordou o autor, estes valores passaram a definir a actividade jornalística de qualidade a partir do final do século XIX, quando a imprensa deixou de servir os interesses de partidos políticos, e passou a actuar segundo uma perspectiva empresarial.

Com isto, as organizações noticiosas procuraram atrair novos leitores, sob a premissa de que iriam informar os cidadãos de forma plural e isenta.

Contudo, tal como indicou William Bonner naquela edição do Jornal Nacional, parece haver excepções à regra.

Uma situação semelhante ocorreu, em 2020, nos Estados Unidos, quando a jornalista Nikole Hanna-Jones, do “ New York Times”, publicou a série de reportagens “Projecto 1619”, sobre a chegada do primeiro navio de escravos ao país.

De acordo com Bonner, este projecto recebeu diversas críticas, já que vários leitores consideraram que Hanna-Jones não havia sido objectiva, e que o seu trabalho se aproximava do activismo.

Por sua vez, numa entrevista concedida ao “Folha de S. Paulo”, aquela profissional afirmou que “nenhum jornalista consegue ser totalmente objectivo”.

 

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Um grupo de correspondentes estrangeiros foi insultado na China, onde se tem vindo a registar uma hostilidade crescente quanto à presença de jornalistas internacionais. Neste caso, os insultos e ameaças verbais prenderam-se com a cobertura noticiosa das cheias na cidade de Zhengzhou.

De acordo com o jornal “Guardian”, os principais alvos foram correspondentes da BBC News, devido ao actual conflito entre a China e os “media” britânicos, que foi espoletado pela não renovação da licença de emissão canal CGTN no Reino Unido.

“Há muitas pessoas em Zhengzhou que estão disponíveis para falar sobre os danos causados e sobre as dificuldades que estão a enfrentar”, afirmou Alice Su, jornalista da BBC News, na rede social Twitter. “Contudo, há um grupo que parece estar muito zangado, e ansioso por expulsar estrangeiros”.

Já Stephen McDonell, outro correspondente da BBC na China, comentou, na mesma rede social, que estes ataques faziam parte de uma “campanha de assédio orquestrada”, que incluía ameaças de violência.

Entretanto, os insultos aos jornalistas começaram a ser partilhados na rede social chinesa Weibo, recolhendo diversos comentários críticos do trabalho desenvolvido por estes profissionais.

Além disso, alguns dos utilizadores daquela rede social pediram a deportação dos correspondentes da BBC, e incluíram alguns dados pessoais dos jornalistas, para que estes fossem facilmente identificados por outros agressores.

Este tipo de incidentes foi, também, reportado por jornalistas da Deutsche Welle, CNN e Al Jazeera, que terão enfrentado comentários negativos sobre a sua presença no país.

De acordo com a Freedom House, a China é um país não livre, que detém a maior máquina de censura do Mundo.

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Os insultos e ameaças a jornalistas estrangeiros na China estão a preocupar grupos de imprensa, que temem o agravamento da situação.

“A retórica das organizações filiadas ao Partido Comunista chinês põe em causa a segurança física de jornalistas internacionais, prejudicando a liberdade de imprensa”, afirmou, em comunicado o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China (FCCC na sigla inglesa). “Estamos desapontados com o crescimento da hostilidade contra ‘media’ estrangeiros, um sentimento que foi alavancado pelo nacionalismo”.

“Estamos, particularmente, preocupados com as ameaças aos nossos colegas chineses. Os críticos têm vindo a acusá-los de espionagem e traição, enviando-lhes mensagens insultuosas -- simplesmente porque trabalham para organizações mediáticas estrangeiras."

Da mesma forma, os Repórteres sem Fronteiras disseram estar “horrorizados” com os incidentes registados.

Em causa estão, recorde-se, os insultos e as ameaças a que um grupo de jornalistas estrangeiros foi sujeito, por estar a cobrir as consequências das cheias na cidade de Zhengzhou.

De acordo com o jornal “Guardian”, os principais alvos foram correspondentes da BBC News, devido ao actual conflito entre a China e os “media” britânicos, que foi espoletado pela não renovação da licença de emissão canal CGTN no Reino Unido.

Este tipo de incidentes foi, também, reportado por jornalistas da Deutsche Welle, CNN e Al Jazeera, que terão enfrentado comentários negativos sobre a sua presença no país.

 

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O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

O que há de novo

No primeiro semestre deste ano, as receitas totais do Grupo Impresa atingiram valores próximos dos 92 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 17,4% face ao período homólogo do ano passado.

Desta forma, o Grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão voltou a aproximar-se dos valores reportados há dois anos, antes de a pandemia ter prejudicado os resultados líquidos da empresa jornalística.

De acordo com o “site” da “Meios e Publicidade”, a recuperação do mercado publicitário foi um dos factores decisivos para os resultados agora alcançados pela Impresa, que entre os meses de Janeiro e Junho deste ano registou, aproximadamente, mais 10 milhões de euros de investimento nesta área, em comparação com o período homólogos 2020.

“As lideranças da SIC e do ‘Expresso’ permitiram que a Impresa continuasse a melhorar nos seus resultados”, destacou Francisco Pedro Balsemão. “ O investimento publicitário cresceu depois de um ano muito difícil e a SIC conseguiu captar mais de 50% de quota de mercado publicitário entre os canais generalistas”.

Analisando as fontes de receita do Grupo, o destaque vai para as (chamadas de valor acrescentado), que registaram um crescimento de 38,1%, passando dos 6,8 milhões para os 9,4 milhões de euros.

Igualmente com evolução positiva estiveram as receitas de circulação, bem como o item “Outras Receitas”.

Do lado dos custos operacionais -- sem considerar amortizações, depreciações, provisões e perdas por imparidades em activos não correntes -- houve um incremento de 15,9%, dos 70 milhões de euros registados no primeiro semestre de 2020 para os 81,1 milhões de euros nestes primeiros seis meses de 2021.

Com os números agora reportados, a Impresa alcançou uma “performance” financeira com evolução positiva já que o EBITDA avança para os 10,9 milhões de euros no primeiro semestre.

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O regulador russo dos “media”, Roskomnadzor, bloqueou o acesso à página digital de Alexei Navalny, preso desde Janeiro, onde eram publicadas as investigações sobre corrupção nas esferas do governo.
Segundo a equipa de Navalny, o regulador russo indicou que o bloqueio foi efectuado após um pedido da Procuradoria-Geral da Rússia, que afirmou ter detectado “informação proibida” na página de Navalny.
Esta restrição estendeu-se a outras páginas relacionadas com aquele opositor político, incluindo o “site” fere.navalny.com, elaborado pelos apoiantes seus apoiantes, para pedir a sua libertação.
Agora, o número de páginas digitais relacionadas com o político que foram bloqueadas ascende a 47, disse a equipa de Navalny, na aplicação de mensagens Telegram.
A última investigação publicada na página de internet de Navalny antes do bloqueio relacionava-se com alegados negócios da família do presidente da Câmara baixa do parlamento russo, Viacheslav Volodin, assinalou o portal “Meduza”.
Recorde-se que este bloqueio se registou dias após a proibição da actividade do “site” de jornalismo independente “Proekt”, que foi classificado como indesejável e ficou, por isso, impedido de funcionar a nível nacional.
Este tipo de acções restritivas é comum na Rússia, que se encontra em 150º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre um total de 180 países.

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O Grupo Gannett -- detentor da marca “USA Today” -- vendeu 26 das suas publicações a empresários locais, noticiou o “site” do Instituto Poynter.
Com isto, a organização noticiosa -- que controla mais de 100 títulos em 34 Estados norte-americanos --  procura continuar a “investir nas comunidades”, que pretendam apostar no jornalismo local.
“O Grupo Gannett orgulha-se de fazer a cobertura noticiosa de assuntos vitais para as comunidades que servimos”, afirmou a empresa num comunicado enviado ao Instituto Poynter. “A rede USA Today fornece oportunidades de investimento, mas  percebemos que as empresas locais também são um modelo forte”.
“A nossa missão é empoderar comunidades, e as nossas decisões baseiam-se nesse compromisso . Quando fomos abordados por possíveis compradores, analisámos qual seria a melhor solução, tanto para a nossa empresa, como para a comunidade”.
“Estamos felizes por saber que os empresários locais vão assegurar o futuro destas publicações”.
Ao todo, o Grupo Gannet vendeu dois jornais do Estado do Arkansas, dois da Califórnia, quatro da Flórida, um do território de Guam (na Micronésia), cinco em Illinois, um de Massachusetts, um Missouri, cinco do Oklahoma, e uma publicação da Carolina do Sul.
 
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Em 2010, a jornalista Maria Hinojosa lançou o Grupo Futuro Media, uma organização noticiosa sediada nos Estados Unidos, mas focada em reportar temáticas que não recebem atenção por parte dos “media” tradicionais.

Em entrevista para o “Nieman Lab”, Hinojosa explicou que a sua principal motivação foi a possibilidade de contar as histórias que mais lhe interessavam, sem ter que dar explicações a grandes empresários.

Desta forma, Hinojosa tem vindo a trabalhar para dar voz às minorias étnicas, conquistando uma audiência mais jovem, e de diferentes origens.

Segundo recordou aquela jornalista, a Futuro Media começou por apostar no programa de rádio “Latino USA”. “Este programa é uma instituição cultural, e foi pioneiro em muitos aspectos, já que reflecte sobre o que é ser latino nos Estados Unidos em pleno século XXI”.

“Tivemos a ideia de transformar este programa em algo que conta histórias em profundidade, focando-se no 'storytelling'", acrescentou Marlon Bishop, produtor de conteúdos da Futuro Media desde 2014. “Quisemos contar todo o tipo de histórias e dar espaço aos criadores latinos”.

Hoje, a Futuro Media, que conta com 33 colaboradores fixos, está focada em desenvolver novos “podcasts”, além de uma iniciativa de jornalismo de investigação. O seu “arsenal” conta já com oito programas originais -- desenvolvidos em parceria com a WNYC, WBUR, “The Los Angeles Times”, e Netflix -- que contam a perspectiva de cidadãos de origem latina, e espelham a realidade daqueles que tiverem de enfrentar leis anti-imigração.

Além disso, a Future Media quer continuar a apoiar produtores latinos, que não dispõem de meios financeiros suficientes para lançar os seus próprios projectos, mas cujas iniciativas merecem ser partilhadas.

 

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A World Association of News Publishers (Wan-Infra) anunciou os vencedores European Digital Media Awards 2021, cujo propósito passa por honrar publicações europeias, que se tenham distinguido através de projectos digitais únicos, originais e criativos.

Este ano, a maioria dos prémios foi atribuída a emissoras e publicações norueguesas, que demonstraram uma compreensão avançada dos interesses do público mais jovem, além de terem conseguido aliar o jornalismo de investigação a uma análise aprofundada de dados estatísticos.

Assim, o operador público noruguês foi distinguido na categoria “Melhor ‘Site’ Noticioso ou Serviço Móvel”, a emissora VGTV recebeu o galardão de “Melhor Utilização de Vídeo ‘Online’”, e o jornal “Amedia As” foi premiado em “Melhor Estratégia de Conteúdo Pago”

Além disso, os “media” noruegueses “Dagens Næringsliv”, “Verdens Gang AS” e “Verdens Gang”, receberam, respectivamente, os galardões de “Melhor Interacção com a Audiência”, “Melhor Estratégia de ‘Marketing” Digital para Marca Noticiosa” e “Melhor Projecto Especial sobre Covid-19”.

O prémio da categoria “Melhor Visualização de Dados” foi atribuído à Russian News Agency, pela “oferta extensiva sobre a crise de refugiados, através de um ‘layout’ intuitivo”.

Já a “Guardian Foundation” foi distinguida na categoria de “Melhor Projecto para a Literacia Mediática”, graças à “resposta aos desafios e necessidades das famílias e professores durante 2020”, através da adaptação de conteúdos para o combate à desinformação sobre a pandemia.

Finalmente, o prémio “Melhor Projecto de Áudio Digital” foi entregue “ex-aequo”, aos “media” franceses “Ouest-France” e “Euronews”.

 

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A Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE) aliou-se à Federação Internacional de Jornalistas (FIP), para repudiar o assassinato do jornalista mexicano Ricardo Domínguez López.

Ambas as Federações exigiram, agora, em conjunto com Sindicato Nacional dos Escritores de Imprensa (SNRP), que os tribunais investiguem, exaustivamente, este incidente, como forma de responsabilizar os actores do crime.

“A impunidade não pode continuar a ser a regra no México, pelo que as autoridades devem tomar as medidas necessárias para que o trabalho jornalístico não seja mais sinónimo de perigo”, acrescentaram em comunicado.

Ricardo Domínguez López era conhecido por dirigir o “site” “InfoGuaymas”, e pelo seu trabalho enquanto correspondente da Televisa.

Em Março deste ano, Domínguez López havia participado numa entrevista colectiva, na qual denunciou as ameaças de que estava a ser alvo, pedindo ao Procurador-Geral da República que investigasse as intimidações que recebeu.

No entanto, segundo apontou o Sindicato Nacional de Redactores de Imprensa, não foram adoptadas quaisquer medidas de protecção para salvaguardar a sua integridade física.

Este é o sexto homicídio de jornalistas registado, este ano, no México, que continua a ser considerado um dos países mais perigosos para o exercício da profissão, encontrado-se em 143º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre 180 países.

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O secretário de Estado com o pelouro dos “Media” considerou, na sessão comemorativa dos 200 anos da Lei de Imprensa, que não se pode “deixar o horizonte das redes sociais sem nenhum tipo de regulação“, mas que esta deve evitar abrir caminho “a qualquer forma arbitrária” de definição de verdade.

“O combate à desinformação está a acontecer a nível europeu de muitas formas, há inúmeras iniciativas” em “que Portugal está alinhado e está a acompanhar”, salientou.

“Há uma série de iniciativas de combate à desinformação, reforço dos mecanismos de verificação de factos isso é tudo fundamental, mas como disse” anteriormente “a actividade de ‘fact-checking’ não é nova, é bastante antiga e (…) chama-se jornalismo”, apontou Nuno Artur Silva.

“E é isso que devemos antes de mais defender, temos que responsabilizar as plataformas” onde estão as redes sociais, porque estas “não são neutras“, nem “podem lavar as mãos e dizer: ‘ Não temos nada a ver com o que é produzido'”, prosseguiu aquele governante.

Por outro lado, “não podemos deixar às plataformas serem elas a decidir o que pode ou não pode ser publicado”.

E esse é um “grande desafio” do ponto de vista legislativo: “a ideia que não devem ser criados mecanismos, nem deve ser dado poder a nenhumas entidades que venham de forma arbitrária definir o que é que é ou não é verdadeiro, mas também não podemos deixar o horizonte das redes sociais sem nenhum tipo de regulação”, considerou.

Com isto, Nuno Artur Silva ressalvou que a melhor resposta às “Fake News” continua a ser “defesa inequívoca do jornalismo”, o que passa, também, pelo fomento da literacia mediática.

 

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A empresa de auditoria PwC publicou o seu mais recente relatório com previsões sobre o futuro dos “media”, indicando que, nos próximos quatro anos, o número de jornais impressos continuará a decrescer, e que a publicidade digital se tornará ainda mais relevante.

Neste âmbito, a PwC apontou, ainda, que 24% de todo o mercado publicitário passará a ser controlado pelos jornais de “legado”, como o “New York Times”.

O relatório aponta, da mesma forma, que a Google e o Facebook continuarão a dificultar o acesso dos jornais “online” ao investimento de publicidade na internet.

Isto resultará, de acordo com a PwC, em maiores preocupações a nível de regulação do mercado e, também, da competição.

O relatório sugere, igualmente, que este cenário será impulsionado pela utilização do telemóvel para o consumo de notícias, já que se prevêem, nos próximos anos, avanços substanciais a nível da velocidade da internet móvel.

Além disso, a PwC dá destaque ao crescimento dos novos formatos mediáticos, como os “podcasts”, cujas receitas globais deverão aumentar 8,9% até 2025.

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