Quinta-feira, 24 de Junho, 2021
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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
De mansinho, com um certo sorriso, no verão de 2020, a ministra Mariana Vieira da Silva anunciou, candidamente, numa audição parlamentar, que o Governo tencionava ‘monitorizar’ o chamado ‘discurso do ódio’ nas plataformas on-line, manifestando desde logo o propósito de proceder à contratação pública de um ‘projeto’, destinado à elaboração periódica de um...
Terrorismo de Estado
Francisco Sarsfield Cabral
A brutal ditadura de Lukashenko inaugurou o terrorismo de Estado com o primeiro desvio de um avião comercial. Um sequestro promovido com mentiras e o auxílio de um avião militar. A resposta da UE foi unânime. Veremos se a repressão transnacional de opositores de regimes ditatoriais se intensifica. No final de década de 1960 começaram a ocorrer sequestros e desvios de aviões comerciais por terroristas. Essa série de crimes culminou...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Breves
Prémio de Jornalismo

O Parlamento Europeu abriu as candidaturas para o Prémio de Jornalismo Daphne Caruana Galizia 2021, que visa distinguir, anualmente, o jornalismo de excelência, que fomente e defenda os princípios fundamentais da União Europeia, tais como a dignidade humana, a liberdade, a democracia, a igualdade, o Estado de direito e os direitos humanos.

Podem candidatar-se jornalistas ou equipas de jornalistas profissionais de qualquer nacionalidade, que apresentem artigos de fundo publicados ou difundidos em “media” sediados num dos 27 países da UE.

O vencedor, que será seleccionado por um júri independente, receberá um prémio pecuniário de 20 mil euros.

Os jornalistas interessados podem candidatar-se através do “site” http://daphnejournalismprize.eu.

Direcção do “Monde”

 A redacção do “Monde” aprovou a renovação do mandato de Jerôme Fenoglio, que continuará a desempenhar funções de director do jornal por mais seis anos.

Fenoglio, que ocupa este cargo desde 30 de Junho de 2015, iniciou o seu percurso no “Monde” em 1991, onde começou por ser repórter de desporto, passando, mais tarde, pelas editorias de Sociedade e Ciências.

Foi, ainda, editor-executivo da revista “Monde 2” e do “Monde.fr”, além de director editorial da publicação.

“Observador Lifestyle”

O "Observador'' lançou o seu primeiro guia de viagens, “Observador Lifestyle”, em formato revista.

A primeira edição, que já se encontra nos postos de venda, é dedicada aos Açores e tem um preço de capa de 7,90 euros. A publicação está, também, disponível em versão digital, por 4,90 euros, no “site” 510.pt.

“São 160 páginas com um novo formato e um arquipélago de verbos – mergulhar, passear, comer, experimentar, visitar, dormir, comprar, conhecer, explorar – para um arquipe?lago de ilhas ta?o ricas como variadas. O nosso convite e? que descubra os Ac?ores de uma ponta a? outra, na?o so? geograficamente, de Santa Maria ao Corvo, mas tambe?m na enorme riqueza que ainda se esconde nestas nove ilhas no meio do Atla?ntico”, refere o “Observador”.

A direcção editorial deste projecto esteve a cargo de Ana Dias Ferreira, enquanto a direcção de arte foi assumida por Luís Alexandre, da Silvadesigners.

APM e Telemadrid

 A Associação de Imprensa de Madrid (APM) manifestou o seu apoio à Telemadrid, depois de o partido Vox ter pedido o encerramento daquela emissora.

De acordo com a APM, a Telemadrid desempenha um serviço público em Espanha, de forma rigorosa e independente, o que tem vindo a ser reconhecido com um crescimento substancial da sua audiência.

Por isso mesmo, a associação apelou ao governo e aos restantes partidos políticos que lutem pela garantia da liberdade de imprensa, de forma a que a Telemadrid possa continuar as suas funções, sem interferências de terceiros.

Turbulência na rádio Europe 1

Os colaboradores da Europe 1 ameaçaram declarar greve, caso a administração da estação de rádio não inverta um procedimento de sanção contra um jornalista, que poderá vir a ser dispensado, alegadamente por ter dirigido comentários impróprios a uma colega.

Este incidente surge num momento delicado para a Europe 1, que, há poucos meses, procedeu a um despedimento colectivo.

Além disso, os colaboradores da estação têm estado preocupados com a possível criação de sinergias com a CNews, o canal de notícias do Grupo Canal +, controlado pelo empresário Vincent Bolloré.

Num artigo de opinião publicado no “Monde”, a sociedade de editores da Europa 1 e os sindicatos expressaram a sua preocupação face a esta possibilidade.

“Caso fiquemos associados a um canal que é conhecido pelo seu activismo político, perderemos aquilo que temos de mais precioso: a confiança dos nossos ouvintes”.

Assim, os jornalistas anunciaram que irão remeter o assunto para "o comité de ética da estação", para permitir que os colaboradores que discordem de uma futura linha editorial possam deixar a Europe 1 “invocando uma cláusula de consciência”.

Agenda
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
28
Mar
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
Connosco
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Vários leitores classificaram como “arrepiante” a capa em branco da edição de 20 de Junho do jornal “Folha de S.Paulo”, que visava assinalar as 500 mil vidas perdidas devido à Covid-19 no Brasil, noticiou a agência Lusa, citada pelo jornal digital “Observador”.

Com uma capa especial quase totalmente em branco, foi acrescentado o texto: “Se uma capa vazia causa incómodo, imagine a dor que causa o vazio nas famílias dos 500 mil brasileiros que perderam a vida para a covid-19”.

“Vamos morrer até quando?”, questionava, ainda, a capa do jornal.

Esta questão foi, igualmente, projectada na fachada de um prémio em São Paulo, através de um vídeo que esteve em “loop” durante 17 minutos.

As reacções à iniciativa da “Folha” foram imediatas, com dezenas de leitores a comentarem a opção editorial nas redes sociais.

“Arrepiada com a primeira página da ‘Folha’.(..). Arrepiada de tristeza e frustração pelos 500 mil brasileiros mortos pela Covid”, escreveu uma leitora “Parabéns, ‘Folha’! É este tipo de manchete que o Brasil precisa nesse momento”, disse, por sua vez, outra leitora, numa série de comentários destacados pelo próprio jornal.

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A líder de Hong Kong, Carrie Lam, defendeu, numa conferência de imprensa, a detenção dos responsáveis pelo jornal pró-democracia “Daily Apple”, bem como o congelamento dos activos da publicação, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim.

De acordo com o “Guardian”, Lam disse, ainda, que estas acções não constituíram um ataque à liberdade de imprensa no território

“Os ‘media’ não devem minimizar a ilegalidade de infringir a Lei de Segurança Nacional, nem tentar vangloriar este tipo de actos”, disse. “Não devem, igualmente, acusar as autoridades de Hong Kong de utilizar esta lei para restringir a imprensa ou a liberdade de expressão”.

Da mesma forma, Lam recusou-se a clarificar as nuances do documento quanto à cobertura noticiosa no território.

“Acho que os nossos amigos dos ‘media’ têm a capacidade de identificar as actividades que colocam em causa a segurança nacional”, continuou. “Podem criticar o governo de Hong Kong, mas não devem incentivar acções que ameacem a nossa estabilidade”.

Recorde-se que, a 17 de Junho, mais de 500 agentes invadiram as instalações do jornal e detiveram o chefe de redacção e outros quatro responsáveis do jornal “Apple Daily”, por suspeita de conspiração com forças estrangeiras, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional.
As autoridades decidiram, entretanto, congelar os activos do jornal, o que restringe o pagamento dos salários aos colaboradores.

Este jornal, que apoia o movimento pró-democracia, está, agora, em risco de fechar.

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No final do ano passado, a plataforma “Axios” lançou uma iniciativa de jornalismo local, com seis “newsletters” dedicadas a comunidades dos Estados Unidos.

Agora, apenas seis meses após o seu lançamento, o projecto conta com cerca de 400 mil subscritores, e prepara-se para criar redacções em mais oito cidades.

Contudo, segundo indicou um artigo da “Press Gazette”, a ambição do editor-executivo da “Axios”, Jim VandeHei, não fica por aqui.

“Em princípio vamos escrever para, pelo menos, 50 cidades. Mas acredito que podemos chegar a 100”, afirmou VandeHei, em entrevista para a “Press Gazette”, acrescentando que tudo depende da viabilidade do modelo financeiro.

“Não há dúvida de que temos leitores suficientes nas 50-100 maiores cidades dos Estados Unidos para fazer um produto viável, financiado pela publicidade”, disse. “Espero que esse seja, também, o caso em localidades de menores dimensões”.

Posto isto, VandeHei acredita que, a longo prazo, o modelo da “Axios” pode ser replicado noutros países.

"Penso que os princípios que funcionam aqui funcionariam em qualquer comunidade local. As pessoas preocupam-se com o que está a acontecer com a política, os negócios ou a tecnologia. Portanto, penso que isso é aplicável globalmente", disse.

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A coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker venceu a edição deste ano do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural. Este reconhecimento presta homenagem à contribuição excepcional de Anne Teresa para a disseminação da cultura e dos valores europeus através da dança.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI) recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo.

Este ano, o júri do prémio atribuiu, também, um Reconhecimento Especial à escritora italiana, de origem arménia, Antonia Arslan.

Reagindo à notícia de que tinha sido galardoada, Anne Teresa De Keersmaeker disse estar agradecida ao júri do prémio e a tudo o que a Europa lhe proporcionou.

“Quero agradecer ao Júri ter-me escolhido para o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva. A honra é toda minha e evidencia as profundas dívidas que acumulei para com o panorama cultural europeu em geral e para com Lisboa e Portugal em particular”, disse.

Nascida em 1960, Anne Teresa estudou dança na Escola Mudra, em Bruxelas, e na Tisch de Nova Iorque. Em 1980, criou o seu primeiro trabalho coreográfico.

Dois anos depois, estreou “Fase, Four Movements to the Music of Steve Reich” e, em 1983, Anne Teresa estabeleceu a companhia de dança Rosas e criou o espetáculo “Rosas danst Rosas”.

Com a companhia de dança, construiu um vasto conjunto de espectáculos que abordam estruturas musicais e partituras de todas as épocas, da música antiga à contemporânea, passando por expressões populares.

A sua linguagem e prática coreográficas são inspiradas em geometria e em modelos matemáticos, no estudo do mundo natural e em estruturas sociais.

Em 2020, criou uma nova coreografia para o musical “West Side Story”, na Broadway, e começou a trabalhar na peça “Dark Red”, uma série de coreografias pensadas para o espaço de um museu.

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Ao longo da última década, alguns jornalistas norte-americanos têm criado organizações noticiosas sem fins lucrativos, como forma de garantir a cobertura informativa de cidades que perderam os seus jornais locais.

O mesmo aconteceu em New Bedford, no Estado de Massachusetts, onde um grupo de profissionais, apoiados pelo prefeito da cidade, Jon Mitchell, lançaram, em 7 de Junho, a plataforma “The New Bedford Light”.

O “Bedford Light” é de leitura gratuita, não aceita investimentos publicitários, e depende de doações de cidadãos e de negócios locais.

Através deste modelo, a publicação quer informar os cidadãos e, ainda, promover “workshops” de literacia mediática, para que os leitores tomem decisões inteligentes.

“Numa cidade tão complexa como New Bedford, há uma grande necessidade de jornalismo de investigação”, disse Barbara Roessner, editora-executiva do “Bedford Light”, citada pelo “New York Times”: “

Como tal, na sua primeira semana, a organização noticiosa dedicou-se a reportar sobre os efeitos do coronavírus na cidade, com artigos sobre as pessoas que morreram de covid-19 e análises estatísticas sobre os efeitos do vírus na comunidade.

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O Reino Unido e a Nigéria querem passar a regular o espaço “online” e ter a possibilidade de punir a emissão de conteúdos “falsos” ou “enganadores”, alertou Joshua Benton num artigo publicado no “Nieman Lab”.

Segundo recordou Benton, os organismos internacionais encaram os governos do Reino Unido e da Nigéria de formas bastante distintas no âmbito democrático.

De acordo com os Repórteres sem Fronteiras, por exemplo, o Reino Unido garante “de forma satisfatória”, o direito à liberdade de imprensa, encontrando-se em 33º lugar, num total de 180 países. A Nigéria, por outro lado, fica-se pela 120ª posição.

Da mesma forma, no Índice da Democracia, o Reino Unido está na 16ª posição, enquanto a Nigéria está em 110º lugar.

Ainda assim -- apontou Benton -- estes dois países, aparentemente diferentes, querem ambos regular as plataformas digitais, de uma forma que compromete a liberdade de expressão.

No caso do Reino Unido, o governo quer que as plataformas de “streaming” passem a ser controladas pelo Ofcom, como forma de “regular a competição” no mercado do entretenimento.
Esta proposta surgiu na sequência da emissão de novas temporadas “The Crown”, que tem vindo a ser criticada por “distorcer os factos” sobre a família real britânica, embora seja uma obra de ficção.

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A crise dos “media” tem afectado as publicações em papel, que estão a registar um decréscimo significativo nas receitas de publicidade e no volume da circulação, indicou Analía Plaza num artigo para o jornal digital “Eldiario.es”.

De acordo com Plaza, em Espanha, a falta de sustentabilidade destes títulos prende-se, sobretudo, com a dificuldade em atrair anunciantes, numa altura em que os grandes “players” digitais conquistam a maioria dos investimentos publicitários.

Além disso, segundo apontou a autora, as revistas espanholas estão atrasadas no processo de digitalização, o que tem resultado na dispensa de muitos colaboradores e, em alguns casos, no encerramento dos títulos.

Conforme recordou Plaza, o volume de negócios das principais editoras espanholas diminuiu 53% desde 2007. Além disso, se, antes, uma revista cobrava entre 15 mil e 40 mil euros por página de publicidade, hoje, esse valor não chega aos 10 mil.

No caso da editora Hearst, responsável pela publicação de 21 revistas, este cenário irá reflectir-se, em breve, no despedimento colectivo de 97 colaboradores.

“Parece inviável continuarmos a funcionar perante as reduções de pessoal”, afirmou Yolanda Campos, presidente do comité de trabalhadores da Hearst, citada pelo “Eldiario.es”. “Estamos nesta situação porque a empresa não se reinventou. Os padrões de consumo mudaram e agora fala-se de digitalização, mas estamos muito atrasados no processo”.

Já na Condé Nast, por outro lado, o modelo de negócios foi reorientado para a organização de eventos e de formações, em detrimento da qualidade do conteúdo.

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Em plena crise dos “media”, alguns jornalistas e empresários têm apostado em novos projectos noticiosos, como forma de revitalizar a imprensa local e comunitária.

É esse o caso do jornal digital “LookOut Santa Cruz”, que, em Novembro do ano passado, lançou um “site” e uma “newsletter”, prontos para servir os cidadãos de Santa Cruz, na Califórnia.

Agora, apenas sete meses após o seu lançamento, o “LookOut Santa Cruz” conta já com 10 mil leitores da “newsletter” e com mil assinantes do “site”.

Num texto publicado no “Nieman Lab”, Ken Doctor, o director da iniciativa, explicou que tudo isto foi possível graças a um modelo inovador, com regras adaptadas à era digital. Trata-se, no fundo, de uma versão melhorada dos jornais tradicionais.

Segundo indicou Doctor, o “LookOut Santa Cruz” tem três principais focos: conteúdo, comunidade e comércio.

A nível do conteúdo, o projecto tenta seguir o modelo do “New York Times”: apresentar artigos de interesse público, que promovam a interacção e que sejam fáceis de compreender.

Neste sentido, o “LookOut Santa Cruz” dá prioridade a assuntos comunitários, como forma de satisfazer as necessidades e curiosidade do público local.

O que há de novo

O semanário “ Economist” registou um crescimento de 9% no período de um ano, ultrapassando o patamar de um milhão de subscritores, noticiou o “site” “Press Gazette”.

De acordo com a “Press Gazette”, a publicação atribui esta conquista a “um programa de investimento para o crescimento sustentável”.

Por outro lado, as receitas do “Economist” registaram uma quebra de 3%, uma vez que o número de assinaturas não foi suficiente para colmatar o decréscimo dos investimentos publicitários e da facturação por eventos.

Ainda assim, o jornal conseguiu melhores resultados do que o esperado, pelo que devolveu um apoio de 100 mil libras concedido pelo governo britânico.

Após uma recente reestruturação, o "Economist" passou a estar dividido em quatro marcas, focadas em melhorar a experiência dos leitores: a Economist Intelligence, a Economist Impact, e a recém-criada Economist Education.

Além disso, a página inicial do “website” e a “app” do jornal foram desenhadas e actualizadas, o que se fez acompanhar de outras inovações digitais, tais como a aposta no jornalismo interactivo de dados e na criação de uma plataforma de serviço ao cliente.

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O “New York Times” lançou uma nova modalidade, permitindo que os seus subscritores "ofereçam” artigos.

A funcionalidade de “oferta” passou a estar disponível para alguns novos assinantes, e deverá estar acessível para todos os subscritores até ao final de Agosto, tanto no “site” da publicação, como nas “apps”.

Estes artigos não contarão para o número de peças gratuitas mensais (dez), oferecidos a todos os não-assinantes, e estarão disponíveis para leitura durante 14 dias.

Os leitores podem encontrar o botão de “oferta” juntamente com outras opções de partilha.

Através desta nova modalidade, o “NYT” espera estabelecer uma melhor relação com os leitores, embora ainda não seja certo que as “ofertas” ajudem a conquistar novos assinantes.

“Sabemos que os não-assinantes, que vêm ao nosso “site” por recomendação de amigos, são mais susceptíveis a registarem-se no jornal, quando comparados aos leitores que chegam ao ‘NYT’ por outras vias”, disse Anna Mancusi, director de produto do jornal, citada pelo “Nieman Lab”. “Vamos, agora, monitorizar os registos e as taxas de retenção”.

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O “Apple Daily”, um jornal pró-democracia de Hong Kong, anunciou que poderá encerrar no final de Junho, depois de os seus activos terem sido congelados, ao abrigo de uma Lei de Segurança Nacional.

Durante vários anos, o “Apple Daily” foi considerado como um dos principais aliados do movimento pró-democracia. O seu proprietário, Jimmy Lai, está, actualmente, a cumprir uma pena de 28 meses de prisão, pelo seu envolvimento nas manifestações de 2019 e por “conluio com forças estrangeiras”.

Mark Simon, um representante de Jimmy Lai, afirmou, entretanto, que o congelamento dos activos do jornal está a impedir o seu funcionamento e o pagamento dos salários aos colaboradores.

“O secretário de Segurança e a polícia não nos deixam pagar aos nossos jornalistas, aos nossos fornecedores. Bloquearam as nossas contas”, afirmou Simon.

Lam Man-chung, um dos editores do jornal, revelou, da mesma forma, que a equipa irá avaliar, em breve, se poderá, ou não, continuar a desempenhar funções.

Recorde-se que, no dia 17 de Junho, mais de 500 agentes invadiram as instalações do jornal e detiveram o chefe de redacção e outros quatro responsáveis do jornal “Apple Daily”, por suspeita de conspiração com forças estrangeiras, ao abrigo da lei de segurança nacional, informaram os “media” locais.

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O jornalista mexicano Gustavo Sánchez Cabrera , especializado em reportagens de investigação criminal e política, foi assassinado no Estado do Oaxaca.

De acordo com a organização Repórteres sem Fronteiras, Sánchez Cabrera já tinha sido alvo de uma tentativa de homicídio, e havia pedido protecção às autoridades policiais, que ignoraram os seus apelos.

O Procurador de Estado de Oaxaca garantiu, agora, que irá promover uma “investigação exaustiva” sobre o homicídio.

“O Estado mexicano estava ciente de que Sanchéz Cabrera estava em perigo, mas não agiu a tempo”, disse Emmanuel Colombié, representante dos RSF na América Latina. “Sabia-se que as suas reportagens eram incómodas para algumas pessoas, o que o tornava um alvo. Agora, devem ser accionados mecanismos de emergência”.

Sanchéz Cabrera foi o segundo jornalista a ser assassinado, este ano, devido ao seu trabalho de investigação. O primeiro, Benjamín Morales Hernández, era editor de um “site” de notícias locais, e foi encontrado morto no Estado de Sonora.

O México é considerado um dos países mais perigosos para o exercício do jornalismo, constando na “lista negra” de várias organizações de imprensa.

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Depois de várias alterações na direcção de informação, a agência Lusa conta, agora, com três novos chefes de redacção: Cristina Cardoso, Cristina Fernandes Ferreira e Shrikesh Laxmidas.

De acordo com a directora de informação, Luísa Meireles, estes profissionais terão “efectiva presença na redacção e serão mais exigentes nos temas e no seu acompanhamento do dia-a-dia”.

As nomeações de Cristina Cardoso, até aqui redactora na área de Sociedade, e de Cristina Fernandes Ferreira, até agora redactora na secção Lusofonia e Mundo, receberam, de acordo com o comunicado do Conselho de Redacção (CR), parecer positivo, por unanimidade.

Por outro lado, no caso da nomeação de Shrikesh Laxmidas, até aqui director-adjunto do “Jornal Económico”, os elementos eleitos abstiveram-se, também por unanimidade.

“O Conselho de Redacção (CR) reconhece que Shrikesh Laxmidas tem um currículo adequado às funções propostas, mas considera inaceitável recrutar alguém de fora para um cargo de chefia quando as contratações continuam congeladas, quer para fazer face a situações de carência de pessoal em várias editorias, quer para integração de jornalistas precários que trabalham para a agência”, pode ler-se no comunicado.

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O Grupo de “media” alemão Axel Springer -- detentor de títulos como " Bild " e “Die Welt " -- alcançou o patamar de um milhão de subscritores digitais.

Este marco foi conquistado graças ao modelo de negócio inovador da empresa que, há cerca de dez anos, passou a apostar nas subscrições, em detrimento da dependência da publicidade

Agora, mais de 60% das receitas do Grupo resultam das assinaturas “online”.

" Continuaremos a investir tempo e dinheiro para expandir nossa oferta de conteúdo pago e garantir que o nosso jornalismo é independente e lucrativo”, explicou, em comunicado, Jean Bayer, responsável pelas actividades nacionais do Grupo, adiantando, ainda, que a empresa planeia lançar novas ofertas.

Além de controlar alguns dos jornais mais populares da Alemanha, o Grupo Axel Springer possui, também, alguns “sites” de classificados na área do emprego e do imobiliário.

Em 2020, esta editora alemã deixou a Bolsa de Frankfurt, depois de o fundo norte-americano KKR ter adquirido 47,6% da empresa, tornado-se o principal accionista da empresa.

 

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A Associação Nacional de Vendedores de Imprensa (ANVI) pediu audiências aos Ministérios da Cultura e da Economia, por causa da taxa extra que vai ser introduzida pela Vasp.

Em comunicado, a AVNI referiu que “requereu pedidos de audiência ao secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media (Ministério da Cultura) e ao secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor (Ministério da Economia) sem que tivesse, até à presente data, sido confirmada a disponibilidade daquelas secretarias de Estado para reunir e apoiar a situação de fragilidade dos pontos de venda”.

De acordo com a ANVI, “a par dos referidos pedidos de reunião”, a associação “entrou já em conversações com a Vasp para que suspenda, de imediato, a intenção de aplicar as referidas taxas adicionais sem que, até ao momento, tivesse recebido a confirmação por parte daquela empresa que aceitaria desistir da referida cobrança prevista para o próximo mês de Julho”.

Além disso, a mesma entidade realizou “pedidos de reunião para alguns editores no sentido de se avançar com nova alternativa à distribuição actualmente existente, prevendo-se chegar a todos os editores durante a próxima semana” e iniciou o “levantamento da oferta de distribuição a nível regional que possa permitir à ANVI assegurar a todos os seus associados uma alternativa mais vantajosa à situação”.

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O Sindicato dos Jornalistas vai requerer à Procuradoria-Geral da República e à Provedoria de Justiça que questionem a constitucionalidade do artigo 6.º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, noticiou o “site” “Meios e Publicidade”.

O Artigo 6.º estabelece que passa a ser proibido não apenas produzir, mas também reproduzir ou difundir desinformação, isto é, “toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que seja susceptível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos”.

Este artigo aponta, da mesma forma, que o Estado deverá apoiar “a criação de estruturas de verificação de factos por órgãos de comunicação social devidamente registados e incentiva a atribuição de selos de qualidade por entidades fidedignas dotadas do estatuto de utilidade pública”.

Ao abrigo da nova Carta, os utilizadores têm, ainda, o direito de apresentar queixas junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) contra as entidades que pratiquem actos de desinformação.

Em comunicado, o SJ afirmou que está contra a atribuição de novas competências à ERC, já que isto , “significaria desviar para uma entidade administrativa competências que, manifestamente, são dos tribunais”.

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