A BBC atravessa uma situação financeira delicada, que obriga a estação pública britânica a preparar novos cortes significativos. 

A empresa anunciou que pretende reduzir cerca de 10% dos seus custos nos próximos três anos, uma poupança que, segundo estimativas de outros meios britânicos, poderá atingir cerca de 600 milhões de libras. Estas medidas poderão traduzir-se em despedimentos e na redução de programas, numa tentativa de tornar a organização “mais produtiva” e de “hierarquizar a oferta para o público”, como refere um porta-voz da estação. 

Uma das causas principais das dificuldades é a diminuição do número de lares que pagam a taxa anual para ver televisão em directo, fixada em 174,50 libras. Embora a BBC tenha arrecadado cerca de 3,8 mil milhões de libras em 2024-2025, o número de incumpridores é significativo: cerca de 3,6 milhões de residências recusam pagar, o que resultou em perdas superiores a 1,1 mil milhões de libras. 

Além disso, a BBC enfrenta mudanças estruturais no consumo mediático, com o crescimento das plataformas de streaming e dos serviços a pedido. 

Os cortes surgem também num contexto de polémica: uma montagem considerada enganadora de um discurso de Donald Trump levou o director-geral, Tim Davie, a anunciar a sua saída, na sequência de uma acção judicial por difamação interposta por Trump nos Estados Unidos, que reclama uma indemnização de 10 mil milhões de dólares. 

(Créditos da imagem: BBC)