A confiança dos cidadãos na informação produzida pelos meios de comunicação social continua a degradar-se em Espanha, atingindo em 2025 o valor mais baixo dos últimos anos. De acordo com o Informe Anual de la Profesión Periodística 2025, apresentado recentemente pela Associação de Imprensa de Madrid (APM), com a qual o CPI mantém uma parceria, os cidadãos atribuem uma classificação média de 5,4 em 10 à credibilidade da informação dos media, um recuo face aos 5,7 registados nos dois anos anteriores.

O estudo revela ainda um distanciamento particularmente acentuado entre os jovens e o jornalismo profissional. Entre os inquiridos mais novos, um colaborador não jornalista de um meio de comunicação (29%) e uma fonte directa nas redes sociais (28%) geram mais confiança do que um jornalista profissional (23%). A principal causa de desconfiança apontada é a perda de credibilidade dos conteúdos publicados (40%), seguida da falta de rigor e de qualidade informativa (27%). 

Os próprios jornalistas têm uma percepção igualmente negativa da imagem da profissão: 82% consideram que a população tem uma opinião desfavorável sobre o seu trabalho. Entre as razões apontadas destacam-se o sensacionalismo (46%), a falta de rigor e de qualidade da informação (43%) e os interesses económicos ou políticos dos grupos editoriais (41%). A independência profissional continua igualmente fragilizada, com uma auto-avaliação média de 4,8, o mesmo valor do ano anterior. 

A presidente da APM, María Rey, sublinhou, na apresentação do relatório, que a perda de confiança dos cidadãos afecta directamente o sentido do trabalho jornalístico. “A sociedade percebe que existe pouca qualidade na informação, algo que está relacionado com a trivialização e o sensacionalismo, com notícias ‘caça-cliques’ que confundem o público”, afirmou. A responsável alertou ainda para o impacto das más condições laborais, da pressão constante e da exposição à crítica na saúde mental dos profissionais. 

Segundo o relatório, a precariedade laboral mantém-se como o principal problema da profissão, apontado por 12% dos inquiridos, seguida da perda de credibilidade e da desconfiança gerada junto do público (11%) e dos baixos salários (11%). A maioria dos jornalistas considera que a melhoria salarial é a principal solução para inverter esta situação. 

Os dados revelam que 56% dos jornalistas trabalham mais de 40 horas semanais, ultrapassando o limite legal, e que 68% acreditam que a precariedade afecta directamente a qualidade informativa dos seus meios. Cresce também o número de falsos trabalhadores independentes, que já representam 14% dos jornalistas inquiridos. 

Em termos salariais, quase metade dos jornalistas contratados aufere entre mil e dois mil euros líquidos mensais, enquanto mais de metade dos jornalistas freelancers recebe menos de 100 euros líquidos por peça jornalística, um indicador claro da fragilidade económica do sector. 

O relatório alerta igualmente para o agravamento dos problemas de saúde mental na profissão. A maioria dos jornalistas considera que a situação é grave ou bastante grave, associando-a sobretudo à má retribuição, às longas jornadas de trabalho e às pressões exercidas, frequentemente, pelas direcções editoriais. 

No domínio da inteligência artificial, cresce a preocupação com a inteligência artificial generativa e o seu impacto na profissão. Mais de metade dos jornalistas afirma que a IA já é utilizada nas redacções, e quase metade acredita que terá de se adaptar e adquirir novas competências para responder às mudanças tecnológicas. 

Informe Anual de la Profesión Periodística 2025 dedica ainda um capítulo às medidas do Plano de Acção pela Democracia aprovado pelo Governo espanhol. A maioria dos profissionais mostra-se céptica quanto à eficácia das medidas para garantir maior transparência e pluralismo, embora exista apoio significativo à criação de um registo de propriedade dos meios de comunicação, desde que assegurada a independência do processo. 

Publicada desde 2004, esta é a 22.ª edição do relatório da APM, considerado a principal radiografia anual do sector jornalístico em Espanha. O estudo baseia-se em inquéritos a mais de 1300 profissionais, à população em geral e, pela primeira vez de forma aprofundada, a cidadãos jovens entre os 18 e os 30 anos, oferecendo um retrato detalhado dos desafios actuais do jornalismo e do seu papel nas sociedades democráticas. 

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