Os portugueses são dos que menos subscrevem notícias digitais
Apenas 10% dos portugueses afirma pagar por notícias digitais, um dos valores mais baixos entre os 48 países analisados pelo Digital News Report 2025, elaborado pelo Reuters Institute. Este valor representa uma quebra face aos 12% registados no ano transacto, o que, como informa o Meios & Publicidade, reforça “uma tendência de estagnação já observada em anos anteriores”, que também se verifica noutros países europeus.
O estudo mostra que a média global subiu ligeiramente para 18% - em comparação com os 17% registados no ano passado -, o que evidencia ainda mais a posição de Portugal entre os países com menor propensão para pagar por notícias digitais.
Entre quem paga por conteúdos digitais, 70% mantém a prática de forma regular, o que assinala uma certa fidelização entre os actuais subscritores. Segundo o relatório, “cerca de um terço dos utilizadores que pagam por informação online recorrem a uma subscrição contínua”.
Além disso, cresce o acesso indirecto à informação através de pacotes agregados, como plataformas digitais ou serviços de telecomunicações, abrangendo 33% dos utilizadores. Ainda assim, o potencial de crescimento é limitado: 66% dos que não pagam dizem não ter interesse em qualquer modalidade apresentada.
Entre os títulos mais mencionados por quem paga destacam-se o Expresso (39%), o Público (26%), o Observador (19%) e o Correio da Manhã (18%) — embora o relatório alerte que este indicador "não deve ser interpretado como representativo da performance em termos de circulação digital paga".
Televisão lidera, mas jovens preferem a internet
A televisão continua a ser a principal fonte de notícias para os portugueses, com 67% a utilizá-la e 53% a identificá-la como principal meio de informação. Isto coloca Portugal como o segundo país mais dependente da televisão, apenas atrás do Japão.
Ainda que a internet tenha igual taxa de uso (67%), apenas 19% dos portugueses a escolhem como principal fonte de informação. Já entre os jovens dos 18 aos 24 anos, o cenário muda: 26% preferem a internet (excluindo redes sociais) e 24% recorrem às redes sociais como principal meio informativo.
A rádio (7%) e a imprensa tradicional (4%) mantêm um peso residual. Podcasts e chatbots de IA, incluídos pela primeira vez como fontes possíveis, são referidos como fonte principal por apenas 1% dos inquiridos.
Redes sociais ultrapassam televisão nos EUA
Nos Estados Unidos, as redes sociais ultrapassaram pela primeira vez a televisão como fonte de notícias. Segundo o relatório, 54% dos norte-americanos dizem obter notícias através das redes sociais, enquanto apenas 50% citam a televisão, uma queda significativa face aos 72% registados em 2024.
“Estes dados revelam uma diminuição da influência e da confiança nos órgãos de comunicação social tradicionais, incluindo a televisão, com um número crescente de norte-americanos a recorrer a podcasters, YouTubers e TikTokers para acederem à informação”, ressalva o artigo do Meios & Publicidade.
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