Um total de 330 jornalistas estavam detidos em todo o mundo no final de 2025 devido ao exercício da sua profissão, segundo o relatório anual do Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ). Apesar de representar uma descida face ao recorde de 384 detenções registado no final de 2024, o número confirma uma tendência persistente: 2025 foi o quinto ano consecutivo em que as detenções ultrapassaram as 300, e o terceiro com o valor mais elevado desde que a organização começou a compilar estes dados, em 1992. 

“Estes números recorde reflectem a ascensão do autoritarismo e a escalada dos conflitos armados em todo o mundo”, afirma a organização no relatório. 

A China continua a ser o país com mais jornalistas presos, com 50 profissionais detidos, seguida de Myanmar, com 30. Israel surge em terceiro lugar, com 29 jornalistas palestinianos encarcerados. A lista inclui ainda a Rússia, com 27 jornalistas presos (dois em cada cinco de nacionalidade ucraniana), a Bielorrússia (25) e o Azerbaijão (24). 

O relatório sublinha que quase metade dos jornalistas detidos em todo o mundo não tinha sido condenada, permanecendo em prisão preventiva. Entre os que já tinham sentença, mais de um terço cumpria penas superiores a cinco anos. As condições de detenção também merecem destaque: quase um terço dos jornalistas presos relatou ter sofrido maus-tratos, enquanto 20% afirmaram ter sido torturados ou espancados. 

Desde que o CPJ começou a registar estes dados, alguns países surgem repetidamente associados a práticas de violência contra jornalistas. Irão, Israel e Egito figuram entre os Estados mais frequentemente acusados de tortura e agressões a profissionais dos media. No caso do Egito, o relatório indica que 18 jornalistas permaneciam presos no final de 2025. 

A Ásia mantém-se como a região do mundo com o maior número de jornalistas encarcerados, num total de 110 profissionais. Para além da China e de Myanmar, o relatório aponta para a existência de pelo menos 16 jornalistas detidos no Vietname, quatro no Bangladesh, três na Índia e um nas Filipinas. 

O CPJ chama ainda a atenção para o facto de as detenções de jornalistas não se limitarem a regimes autoritários. Nos Estados Unidos, o jornalista salvadorenho Mario Guevara foi detido em meados de Junho enquanto cobria protestos contra Donald Trump. Guevara acabou por ser deportado no final de Outubro, depois de não ter regularizado a sua situação de imigração, apesar de viver no país há cerca de duas décadas.

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