A troca de favores no jornalismo desportivo brasileiro
O jornalismo desportivo deixou de ter utilidade pública, já que se baseia, agora, em trocas de favores entre comentadores e clubes, deixando o relato dos campeonatos para segundo plano, considerou o jornalista Edu Montesanti num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com o autor, o jornalismo desportivo está, assim, a falhar, essencialmente, em dois campos intelectuais.
Em primeiro lugar, a opinião dos comentadores convidados já está pré-estabelecida, já que se baseia em acordos clubísticos.
Em segundo lugar, a maioria dos programas foca-se em discussões ocas, em detrimento da análise do desporto com base em critérios sociais, económicos e políticos.
Ora, segundo indicou o autor, esta falta de reflexão está a sustentar a corrupção no interior dos clubes. Isto porque, de forma a conseguirem lucrar com os seus comentários, os jornalistas desportivos sobrevalorizam alguns atletas, o que lhes garante uma percentagem do montante acordado na sua próxima contratação.
Ademais, -- afirmou Montesanti -- os profissionais têm procurado alienar os espectadores da realidade, para que não haja interferência neste tipo de esquemas.Por isso, continuam a sua participação nestes programas sem fazerem uma análise concreta do panorama desportivo. Limitam-se a “falar de nada”.
Janeiro 21
Assim, os jornalistas contribuem para a previsibilidade dos negócios, reforçando práticas pouco éticas e afastando-se, cada vez mais, da sua missão para “a construção social da realidade”.
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