Os jornalistas estão, muitas vezes, sujeitos a uma grande carga emocional, uma vez que a profissão se baseia em valores morais nobres, e tem uma função social de grande importância, considerou Dairan Paul, num artigo publicado no “site” “objETHOS”.
No entanto, afirmou o autor, o compromisso para com o jornalismo resulta, por vezes, em problemas do foro mental, enquanto consequência directa da cultura de redacção e, também, dos retratos românticos associados à profissão.
Paul recorda, neste sentido, que, na cultura “pop”, os jornalistas são pintados como heróis, cuja função é “vigiar os demais poderes, fiscalizar tudo e todos, revelar o que se quer esconder, contribuir para a democracia”.
Este tipo de mentalidade pode ajudar a guiar os valores éticos dos jornalistas. No entanto, pode, também, resultar numa percepção profissional pouco saudável.
Por isso mesmo, o autor acredita que as redacções podem repensar a sua mentalidade, removendo “o lugar sacrossanto outorgado ao jornalismo, como se o colaborador fosse um sacerdócio ao serviço de sua causa”.
Paul sublinha, por outro lado, que isto não deve afectar o valor público intrínseco ao jornalismo, mas sim a sua cultura profissional, que estimula determinados comportamentos tóxicos – como o excesso de velocidade na redacção, ou os extensos horários de trabalho.
Tudo isto numa indústria que paga salários baixos e onde a precariedade é a palavra de ordem.
Julho 22
O articulista recorda, neste âmbito, as conclusões do estudo “Perfil do Jornalista Brasileiro 2021”, que aponta que cerca de 66% dos profissionais inquiridos sentem “stress”, enquanto mais de 20% já foram diagnosticados com algum transtorno mental relacionado com o seu trabalho. Além disso, 68,6% dos participantes foram instruídos a tomar antidepressivos.
Mesmo com este quadro desanimador, muitos profissionais parecem seguir em frente, porque vêem um forte sentido social no valor do jornalismo, especialmente na sua função pública de bem informar a sociedade.
O problema, concluiu o autor, é que o amor pelo jornalismo tem prazo de validade: quando o profissional deixa de poder pagar as contas, não há paixão que resista.
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