Guia de conselhos na era da pandemia para entrevistar cientistas
O coronavírus está a estreitar os laços entre os jornalistas e a comunidade científica. Todos os dias surgem novas questões, que requerem conhecimento especializado e é, agora, bastante comum assistirmos a entrevistas com médicos e investigadores, que partilham as suas previsões sobre o “comportamento” da pandemia ou sobre o desenvolvimento de uma vacina.
Entrevistar um cientista pode, porém, ser uma tarefa árdua, apontou o médico Eduardo Finger num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria. Isto porque os investigadores são, por natureza, propensos a interrogarem-se, prontos a corrigir qualquer verdade “pré-fabricada”.
Finger elaborou, então, um guia para jornalistas, visando facilitar a tarefa de colocar perguntas à comunidade científica e contornar possíveis discursos longos e desconexos.Segundo aquele médico é importante formular questões de resposta “semi-aberta”. Isto porque os investigadores foram talhados para analisar os tópicos segundo metodologias científicas, o que poderia resultar numa resposta de duas horas, com pouco interesse para o público.
Abril 20
Além disso, a comunidade científica procura, ao máximo, dar respostas irrefutáveis, que sobrevivam a qualquer escrutínio. Logo, perguntar qual a previsão para o desenvolvimento de uma vacina, por exemplo, resultaria em 15 minutos de síntese sobre o consenso entre os cientistas de maior credibilidade.
É, então, importante adoptar um “discurso de seminário”. A premissa dos dados científicos deve ser incluída na pergunta, para que a resposta fique limitada e não extravasse os limites demarcados.
Para isso, é necessário que o jornalista faça o “trabalho de casa” e analise as principais conclusões já determinadas, mas este tipo de empenho resultará em respostas mais claras e concisas, ricas em valores-notícia.
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