RSF denuncia censura do regime militar na Guiné-Bissau
Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciaram a suspensão total dos meios de comunicação social decretada pelo regime militar que assumiu o poder na Guiné-Bissau, classificando a medida como uma “grave violação do direito à informação” num momento de elevada tensão política.
“A população deve poder ser informada sobre o que se passa no país, em particular neste contexto de crise política”, declarou Sadibou Marong, director dos RSF para a África Subsariana.
A organização alerta que o bloqueio informativo “abre a porta a rumores de todos os tipos e à desinformação”, sublinhando que jornalistas e órgãos de comunicação devem poder exercer o seu trabalho “livremente e sem riscos de represálias”.
A decisão foi anunciada pelo chefe do gabinete militar da presidência, Denis N’Canha, através da Televisão da Guiné-Bissau, suspendendo “todos os órgãos de comunicação social” até nova ordem. A medida foi adoptada na véspera da divulgação prevista dos resultados das eleições presidenciais e legislativas de 23 de Novembro.
Os RSF recordam que a censura já vinha sendo aplicada antes da tomada de poder pelos militares: desde 15 de Agosto, a rádio RDP África, a RTP e a Agência Lusa encontravam-se proibidas de emitir no país por decisão das autoridades então em funções.
(Créditos da imagem: Repórteres Sem Fronteiras)