Os RSF denunciam violência crescente contra jornalistas
A violência contra profissionais da comunicação social voltou a aumentar a nível mundial. Entre 1 de Dezembro de 2024 e 1 de Dezembro de 2025, 67 jornalistas foram mortos no exercício da profissão ou devido ao seu trabalho, revela o relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Segundo a organização, quase metade das mortes ocorreu na Faixa de Gaza. OS RSF responsabilizam práticas consideradas “criminosas” tanto por forças militares, como por redes de crime organizado, que continuam a visar jornalistas de forma directa.
O relatório expõe um cenário de forte deterioração da liberdade de imprensa. A organização contabiliza 503 jornalistas detidos em 47 países, incluindo 121 na China, 48 na Rússia e 47 em Myanmar. A estes números somam-se 135 desaparecidos, alguns há mais de três décadas, e 20 profissionais mantidos reféns, sobretudo na Síria e no Iémen.
A guerra na Faixa de Gaza, desencadeada após os ataques do Hamas em Outubro de 2023, tem sido o principal factor da subida do número de vítimas. Só nos últimos doze meses, 29 profissionais dos media foram mortos em território palestiniano enquanto trabalhavam, num total de pelo menos 220 jornalistas mortos desde Outubro de 2023, contabilizando igualmente os que não estavam em funções.
Os RSF acusam directamente o exército israelita, que descreve como “o pior inimigo dos jornalistas”. A organização lembra acusações repetidas de ataques deliberados contra profissionais da imprensa, actos que, se forem comprovados, configuram crimes de guerra.
Entre os casos mencionados destaca-se o do correspondente da Al-Jazeera, Anas al-Sharif, morto em Agosto juntamente com outros cinco profissionais. Israel afirmou que se tratava de um “terrorista que se fazia passar por jornalista”, uma acusação que os RSF classificaram como infundada.
“Não se trata de balas perdidas. Trata-se realmente de ataques direccionados a jornalistas, porque eles informam o mundo sobre o que se passa nessas regiões”, denunciou Anne Bocandé, directora editorial dos RSF, citada pela AFP. Para a responsável, há uma tendência crescente para denegrir jornalistas para justificar agressões.
O cenário noutros pontos do globo
O relatório destaca ainda o ano mais mortífero no México desde 2022, com nove jornalistas assassinados, apesar das promessas da Presidente Claudia Sheinbaum. As vítimas investigavam crime organizado, corrupção local e ligações políticas, e várias tinham recebido ameaças de morte explícitas.
Na Ucrânia, três jornalistas foram mortos, e no Sudão, quatro, reflexo de conflitos prolongados e cada vez mais perigosos para a imprensa.
Os RSF sublinham que os dados podem diferir entre instituições devido aos métodos de contabilização. A UNESCO, por exemplo, regista 91 jornalistas mortos desde o início de 2025.
A directora editorial da RSF apela a uma resposta internacional: “Hoje, há um verdadeiro desafio, que os governos reinvistam na protecção dos jornalistas e não os transformem em alvos”.
(Créditos da imagem: RSF)