Maioria dos americanos não quer pagar por notícias locais
A sustentabilidade do jornalismo local nos Estados Unidos continua sob pressão, num contexto em que a maioria da população não contribui financeiramente para os meios de comunicação da sua comunidade. Ainda assim, os cidadãos continuam a reconhecer o papel relevante dessas publicações para o bem-estar colectivo.
De acordo com dados recentes, 57% dos adultos norte-americanos consideram que os seus órgãos de comunicação locais estão a desempenhar-se pelo menos “razoavelmente bem” do ponto de vista financeiro. No entanto, cresce a percepção negativa: 39% acreditam que estes meios não estão em boa situação económica — um aumento significativo face aos 24% registados em 2018.
Apesar desta preocupação, a disposição para pagar por notícias locais permanece reduzida. Uma esmagadora maioria (88%) afirma não ter pago nem feito qualquer donativo a meios de comunicação locais no último ano, seja através de subscrições, contribuições voluntárias ou associações. Apenas 12% dizem ter apoiado financeiramente este tipo de jornalismo.
Entre os que não pagam, metade aponta como principal razão a abundância de notícias gratuitas disponíveis. Outros 29% referem falta de interesse suficiente para justificar o pagamento. Já 10% consideram os custos demasiado elevados, enquanto 9% entendem que a qualidade da oferta não justifica um investimento financeiro. Estes padrões mantêm-se praticamente inalterados desde 2018.
Contudo, o valor atribuído às notícias locais continua elevado. Cerca de 80% dos inquiridos afirmam que os meios de comunicação locais são, pelo menos, “de alguma forma importantes” para o bem-estar das suas comunidades. Ainda assim, verifica-se um recuo na percepção mais forte dessa importância: em 2025, apenas 34% consideraram estes meios “extremamente” ou “muito” importantes, face aos 44% registados no ano anterior.
O envolvimento directo com o jornalismo local também permanece limitado. Apenas 23% dos americanos dizem já ter conversado com um jornalista local, um valor semelhante ao observado em 2016. A probabilidade de contacto é maior entre pessoas com formação superior (30%) do que entre aquelas com níveis de escolaridade mais baixos (17%).
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