Desde a invasão da Ucrânia em 2022, a censura na Rússia intensificou-se, forçando muitos jornalistas a abandonar o país para reportar de forma independente. “A invasão total da Ucrânia apenas veio fortalecer a censura já em vigor no país”, observa um texto do The Fix.

Inicialmente, a repressão incidia sobre indivíduos e meios que criticavam abertamente a guerra, com acusações de “desacreditar o exército russo” e bloqueios a plataformas online. Mas, em 2025, surgiram novas medidas, como bloqueios graduais da internet móvel: “A internet móvel foi parcialmente restringida em várias regiões sob o pretexto de protecção contra ataques de drones”, explicam especialistas da iniciativa Na Svyazi, criada por profissionais de tecnologias de informação, que monitoriza as restrições à internet na Rússia desde 2023. “Após o Dia da Vitória, os bloqueios começaram a alastrar gradualmente para outras regiões, de forma muito cuidada e selectiva.” 

Além disso, foram implementadas “listas brancas” de sites apps aprovadas que continuariam a funcionar durante os bloqueios. “A introdução das listas brancas apenas demonstra que os bloqueios não vão acabar”, afirmam os especialistas. 

O impacto é sentido pelos jornalistas, especialmente em regiões remotas. Piotr Ivanov, jornalista do meio independente SOTA, explica: “Trabalhando em locais como este, obter informações de um correspondente no local é impossível. É preciso esperar que uma ligação de rede estável fique disponível e só depois o material pode ser entregue, o que pode demorar várias horas.” Alerta ainda para a ameaça de desaparecerem reportagens em directo, acrescentando que “simplesmente não existe um canal para transmitir informação actualizada”. 

Outro obstáculo são as restrições a chamadas em apps de mensagens como WhatsApp e Telegram, bloqueadas desde Agosto de 2025: “Estamos a perder fontes e conteúdo, o que complicou seriamente o nosso trabalho”, afirma Nikita Parmionev, editor-chefe do Pepel. 

Como alternativa, a Rússia promoveu a aplicação nacional MAX, endossada por Vladimir Putin, que entrou em listas de acesso essencial. O MAX está também a tornar-se uma fonte de informação. "Está a começar a ocupar um espaço no panorama dos media russos", diz Ivanov, da SOTA. 

No entanto, a aplicação não é viável para todos os meios independentes, especialmente os rotulados como “agentes estrangeiros” ou “organizações indesejáveis”, devido a restrições legais e preocupações de segurança. 

“Não planeamos criar um canal nesta aplicação de mensagens, é claro, mas precisamos de monitorizar o que está a ser escrito nos canais oficiais existentes”, explica Ivanov.

(Créditos da imagem: Unsplash)