Jornalistas libertados na Venezuela, enquanto outros esperam
Cinco dos seis jornalistas detidos na Venezuela pela sua actividade profissional foram libertados pelas autoridades no dia 14 de Janeiro, no âmbito de uma série mais ampla de libertações de presos políticos anunciadas pelas autoridades. A informação foi divulgada pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que saudou o gesto como um passo positivo para a liberdade de imprensa no país.
Entre os jornalistas libertados estão Luis López (La Verdad), Leandro Palmar e Belices Salvador Cubillán (LUZ Radio) e Nakary Mena Ramos e Gianni González (ambos do portal Impacto Venezuela), detidos entre 2024 e 2025 fruto do seu trabalho informativo. Contudo, ainda não foi confirmado se todas as acusações contra eles foram retiradas ou se permanecem sob processos judiciais ou restrições.
Apesar destas libertações, persiste uma preocupação grave em relação ao jornalista Rory Branker, do site La Patilla, que continua detido desde Fevereiro de 2025 e cujo paradeiro oficial não foi divulgado pelas autoridades. Informações obtidas pelos RSF indicam que ele se encontra numa prisão em Tocorón, no estado de Aragua, após ter sido alvo de um desaparecimento forçado em Dezembro de 2025.
Os RSF sublinham que “a falta de informações claras e verificáveis sobre o seu estatuto jurídico e, em particular, sobre a situação de Rory Branker, continua a ser profundamente preocupante. A transparência é essencial: não pode haver garantias reais para o jornalismo enquanto as acusações permanecerem em aberto e as condições não forem especificadas”.
Estas libertações ocorrem num contexto de elevada incerteza política e institucional na Venezuela, onde a liberdade de imprensa continua severamente restringida e profissionais enfrentam obstáculos no acesso à informação oficial, enquanto jornalistas estrangeiros continuam impedidos de informar de forma independente.
(Créditos da imagem: Fotografia retirada do site dos RSF - JUAN BARRETO/AFP)