Uma percentagem crescente de norte-americanos afirma que toma conhecimento das notícias de forma acidental, através de conteúdos que encontra enquanto navega online, em vez de procurar informação de forma deliberada. A conclusão é de um estudo recente do Pew Research Center, desenvolvido no âmbito da Pew-Knight Initiative. 

Segundo o inquérito, 49% dos adultos nos Estados Unidos dizem que actualmente encontram notícias “por acaso” na maior parte do tempo, um aumento significativo face aos 39% registados em 2019, quando a pergunta foi colocada pela primeira vez. 

O estudo conclui, porém, que nem todos os tipos de conteúdos noticiosos são consumidos da mesma forma. As publicações humorísticas e as opiniões sobre acontecimentos da actualidade são os conteúdos mais frequentemente encontrados de forma incidental. 

Cerca de 66% dos inquiridos afirmam ver conteúdos engraçados relacionados com notícias porque se deparam com eles casualmente, enquanto 64% dizem o mesmo relativamente a opiniões e comentários. Apenas 14% afirmam procurar activamente publicações humorísticas, e 21% dizem procurar deliberadamente opiniões sobre temas da actualidade. 

Em contrapartida, os conteúdos mais aprofundados continuam a ser maioritariamente procurados de forma intencional. Apenas 31% dos adultos afirmam encontrar análises detalhadas ou informação aprofundada por acaso, enquanto 38% dizem deparar-se incidentalmente com actualizações noticiosas sobre acontecimentos recentes. 

O estudo identifica diferenças geracionais significativas. Os adultos mais jovens revelam maior tendência para consumir notícias “sem querer” do que os mais velhos. Entre os norte-americanos com idades entre os 18 e os 29 anos, 52% afirmam obter actualizações noticiosas principalmente porque se cruzam com elas online. Entre os maiores de 65 anos, essa percentagem desce para 28%. 

Também o nível de escolaridade influencia os hábitos de consumo informativo. A maioria dos licenciados universitários afirma procurar activamente conteúdos aprofundados (70%) e informação actualizada (65%). Entre os adultos sem licenciatura, esses valores descem para 52% e 51%, respectivamente. 

Já no que diz respeito a conteúdos de opinião ou humor, as diferenças educativas praticamente desaparecem, com licenciados e não licenciados a apresentarem comportamentos semelhantes. 

O estudo detecta ainda algumas diferenças ideológicas dentro dos próprios partidos políticos norte-americanos. Republicanos conservadores e democratas liberais demonstram maior tendência para procurar activamente conteúdos aprofundados do que os sectores mais moderados de ambos os partidos. 

Entre os republicanos conservadores, 65% afirmam procurar análises detalhadas sobre notícias. Entre os democratas liberais, a percentagem sobe para 69%. Já entre republicanos moderados ou liberais e democratas moderados ou conservadores, os valores situam-se perto dos 50%. 

A investigação conclui ainda que os consumidores que encontram notícias por acaso têm mais dificuldade em compreendê-las do que aqueles que as procuram deliberadamente. 

Entre os inquiridos que afirmam consumir informação aprofundada ou actualizações noticiosas de forma incidental, 70% dizem considerar fácil compreender esse conteúdo. Entre os que procuram activamente esse tipo de informação, a percentagem sobe para 81%. 

Os dados reforçam a ideia de que o consumo de notícias está cada vez mais integrado em fluxos digitais dominados por redes sociais, plataformas e algoritmos, onde a informação surge misturada com entretenimento, opinião e conteúdos virais. 

(Créditos da imagem: Unsplash)