Aumentou a desinformação em Portugal segundo um relatório da ERC
Entre as eleições europeias de 2024 e as legislativas de 2025, a desinformação em Portugal aumentou 160%, segundo um estudo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) em parceria com a Universidade da Beira Interior (UBI).
O estudo analisou 4514 publicações nas redes sociais entre 7 de Abril e 19 de Maio de 2025. Os principais canais de disseminação desses conteúdos foram o Instagram (30%), Facebook (28,9%) e X (22,8%), seguidos pelo TikTok (9,8%) e o YouTube (8,5%). Entre estas publicações, foram identificadas 16 ocorrências de desinformação ligadas directamente às páginas dos partidos políticos, levando à abertura de nove processos de averiguação por parte da ERC.
O partido Chega destacou-se como o principal difusor de desinformação, responsável por 81,3% dos casos identificados. PS, PSD e CDS tiveram apenas uma ocorrência cada, representando os restantes 18,7%.
O estudo também detalha os formatos e tipos mais comuns de desinformação. Os vídeos manipulados são o principal meio (56,3%), através de montagens, cortes ou edições de peças originais. Imagens estáticas representam 43,8%, muitas vezes associadas à divulgação de sondagens falsas ou realizadas por entidades não registadas na ERC — o tipo mais frequente de desinformação (31,1%). Em segundo lugar estão os textos de fontes não reconhecidas (25%), e, em seguida, os vídeos informativos manipulados e conteúdos que descredibilizam a comunicação social (ambos com 18,8%). A desinformação mais grave, como notícias completamente inventadas, foi menos comum (6,3%).
Em relação ao grau de impacto, quase metade dos casos (43,8%) foram classificados como de baixo potencial desinformativo, isto é, facilmente verificáveis. Em 37,5% apresentam um potencial médio, ligados à descontextualização ou manipulação de dados, e 18,8% são de alto potencial, com conteúdos completamente falsos, alguns deles criados com recurso a Inteligência Artificial (IA).
Apesar de serem relativamente poucos os casos identificados (16), estes geraram um impacto expressivo: quase 200 mil interacções, com mais de 20 mil comentários e 12 mil partilhas. Estima-se ainda que nove vídeos tenham superado os 3,5 milhões de visualizações, com maior alcance no Instagram e TikTok. No total, mais de seis milhões de utilizadores terão sido expostos a conteúdos desinformativos de origem partidária.
O estudo foi realizado no âmbito de um protocolo entre a ERC e o LabCom – Unidade de Investigação em Ciências da Comunicação da UBI, com o objectivo de estudar a desinformação nas campanhas eleitorais em Portugal.
(Créditos da imagem: Freepik)