“No jornalismo de dados, não podemos contentar-nos com a ‘meia-verdade”  - disse ainda Gebeloff. E, ao contrário do que fazem sites de fact-checking como o Politifact, que criaram “escalas” de veracidade que vão do falso ao verdadeiro passando por tudo o que fica no meio, o jornalismo de dados tem de ser sempre verdadeiro. 

O que propõe, no fundo, é uma disciplina de exactidão intransigente no tratamento dos números, para resistir à tentação comum de retirar deles conclusões apressadas. Por outras palavras, mesmo os números nos podem enganar, se não soubermos lê-los. 

Na sua palestra, Robert Gebeloff procurou explicar o que é “estatisticamente significativo” no exame dos dados que nos são fornecidos sobre uma determinada questão, e de que modo podemos chegar a conclusões erradas, julgando-nos seguros pela sua evidência. 

Também pode acontecer que o tratamento de dados com muita contribuição estatística seja útil para explorar “relações complexas” mas, ao mesmo tempo, torne a história mais difícil de explicar aos leitores. Ele próprio conta que já deixou de escrever uma reportagem porque “nunca conseguiria explicar os métodos” ao seu público. E isso é indispensável. 

A palestra de Robert Gebeloff termina com um lista de seis pontos de verificação de factos, proposta aos profissionais que queiram fazer autêntico jornalismo de investigação, verdadeiro e correcto.

 

 

Mais informação na síntese da jornalista Winny de Yong, aqui citada da Global Investigative Journalism Network