Os “media” norte-americanos perdem audiência e ressentem-se na “ressaca” pós-Trump
Com o fim do mandato de Donald Trump, as emissoras norte-americanas registaram uma quebra acentuada nas audiências, o que reflecte o interesse dos cidadãos em conflitos políticos, em detrimento dos factos e de informação objectiva, notou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Segundo recordou Castilho, o colunista Ben Smith, do “ New York Times”, chegou a anunciar que os canais de notícias na TV paga norte-americana como a CNN, Fox e MSNBC “entraram em fase terminal”, depois de perderem entre 10% (caso da Fox) a 51% (CNN) da audiência nos noticiários políticos.
Com isto, Alice Hutton, analista política do “Guardian”, considerou que “a derrota de Trump desorientou a imprensa norte-americana ao colocá-la diante da escolha entre continuar a sua aposta na linha do espetáculo político/eleitoral ou voltar ao tradicional discurso do compromisso com a objectividade jornalística”.
Perante este cenário, Castilho afirma que o “ extremismo político/ideológico de Trump afectou a imprensa muito mais do que o sector imaginava”, já que os espectadores passaram a desvalorizar a informação isenta e objectiva, preferindo formatos de entretenimento.
Da mesma forma, Mike Ananny, da Universidade da Califórnia, afirma que o populismo de Trump desestabilizou as estratégias de cobertura política da grande imprensa que se mostrou despreparada para enfrentar a frenética sucessão de informações falsas partilhadas através das redes sociais.
Setembro 21
Ananny defende, por isso, que a imprensa norte-americana passou a ser refém do Twitter de políticos como Donald Trump, agora afastado da ribalta.
Assim, tudo indica que os “media” norte-americanos terão de rever a sua estratégia para a cobertura política, perante a “ressaca informativa de leitores, ouvintes e telespectadores”.
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