O teletrabalho e o futuro dos espaços das redacções
Com a pandemia e perante as recomendações de distanciamento social, as publicações adoptaram o modelo de teletrabalho, solicitando aos seus colaboradores que realizassem as suas funções a partir de casa e que visitassem, pontualmente, a redacção.
Mais tarde, perante a fadiga das conferências “online” e da conjugação da vida profissional com a vida pessoal, os títulos passaram a incentivar a realização de reuniões presenciais.
Finalmente, após algum tempo a explorarem as suas opções, os jornais adoptaram um modelo híbrido, que conjuga o remoto com o presencial, e permite uma maior flexibilidade do horário de trabalho, assinalou o jornalista Jonas Gonçalves num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Segundo recordou Gonçalves, os modelos de trabalho vão variando de redacção para redacção, e de país para país.
A título de exemplo, o jornal digital brasileiro “Poder360” projectou um novo espaço de trabalho, com base nas directrizes sanitárias das autoridades de saúde: as salas passaram a ser mais amplas e ventiladas, com acrílicos a separar as secretárias dos colaboradores, e com dispensadores de álcool gel.
Com isto, apontou o autor, é possível observar que a tendência das redacções brasileiras não é de ruptura permanente com o sistema presencial, mas sim de adequação a uma realidade híbrida, tal como acontece noutros países.
Em Inglaterra, por exemplo, o “Guardian” prevê a adesão a um modelo híbrido no pós-pandemia. Segundo apontou a editora-executiva do jornal, Katharine Viner, isto poderá resultar numa combinação de reuniões ‘online’, três dias por semana, com pontuais visitas à redacção, para promover o "brainstorming" entre os jornalistas.
Julho 21
Ainda no mercado britânico, o Grupo Reach anunciou um plano para abolir as redacções fixas, convertendo-as em “hubs” de trabalho temporário para os seus colaboradores
Ao mesmo tempo, na América Latina, o modelo híbrido tem sido adoptado por diversas redações, destacando-se o jornal “El Observador”, do Uruguai, que passou a conciliar o “home office” com encontros ocasionais num espaço de “coworking”.
Conforme assinalou o autor, estas mudanças têm, sobretudo, efeitos positivos no sector. Isto porque, no final de contas, adoptar uma cultura organizacional, que alia as infraestruturas digitais à potencial injecção criativa das interacções presenciais, cria várias janelas de oportunidade.
Além do mais, com este novo modelo, os jornais são convidados a
adaptarem-se às adversidades e, consequentemente, a preparem-se para desafios futuros.
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