Segundo a autora do texto que citamos, “a importância do impresso não devia ser subestimada ou negligenciada”: 

“O perfil dos assinantes varia muitíssimo, mesmo na mesma publicação, e todos procuram experiências diferentes, na base daquilo que são, onde estão e que aparelhos usam ao longo do dia. Com mais informação do que alguma vez tiveram a respeito das audiências, e do modo como são consumidores dos media, os editores deviam considerar todas as opções para manterem os seus assinantes envolvidos com ofertas personalizadas.” (...) 

“Não é surpresa que os assinantes print-first e os que preferem o digital têm modos diferentes de se relacionarem com os conteúdos, e têm diferentes expectativas. Muitos dos primeiros são mais velhos e, de modo geral, fizeram assinatura para vários anos. Mas estes também se envolvem no digital, e até partilham conteúdos mais vezes do que os assinantes do digital.”

“Dito isto, os do digital-first ainda têm interesse no impresso. É por este motivo que vários editores digitais introduziram, nos últimos anos, revistas impressas, e alguns editores recentes introduziram novas publicações print-first, em pequenas quantidades. Até o Facebook lançou uma revista impressa intitulada Grow.” (...) 

A autora recorda alguns exemplos recentes de sucesso, ligados a grandes títulos bem conhecidos:  a assinatura de uma publicação impressa para crianças, por The New York Times; a síntese semanal, impressa, em The Guardian, pensada para poupar a sobrecarga do papel diário, mantendo “a satisfação e facilidade da leitura de um jornal em papel”; ou a mistura do Financial Times, que junta a oferta do impresso e do digital por um preço baixo. 

E outros editores propõem outras misturas, em que os assinantes podem escolher os vídeos, podcasts e conteúdos especiais, por exemplo de desporto ou de artes, para criarem a assinatura que lhes convém. 

A editora Amedia, na Noruega, é o exemplo de quem compreendeu a importância do impresso para a sua audiência de leitores locais:

“Nós fizémos uma proposta de valor: se quer o jornal entregue à sua porta todas as manhãs, pode tê-lo. Se não quiser, não é obrigado. Cada assinante do impresso é também do digital, portanto adquire esse valor e tem acesso a todos os canais digitais que usamos, porque simplificámos radicalmente a avaliação de custo dos nossos produtos e os preços que oferecemos.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra na FIPPInternational Federation of the Periodical Press