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O dilema da Imprensa refém da sua “bolha” na “alfabetização digital”

O efeito de se viver numa ligação constante às redes sociais, e de depender delas para a informação e o juízo que se faz sobre o estado do mundo, resulta num estreitamento do leque de opiniões possíveis causado pela própria lógica das redes. O seu princípio de funcionamento é o de servir ao consumidor mais do mesmo, dando-lhe aquilo que procura. Chama-se a isto viver numa “bolha de filtro”. A Imprensa responsável, os profissionais que a servem e os leitores que a consultam, ficaram surpreendidos com as votações do Brexit e de Donald Trump para Presidente dos EUA. Agora, o jornalista Carlos Castilho, editor do Observatório da Imprensa do Brasil, volta o tabuleiro do jogo e desafia-nos a ver até que ponto também a Imprensa responsável se deixou enclausurar na sua própria bolha, a do establishment, aferrando-se “a uma agenda noticiosa determinada pelos grandes tomadores de decisões e afastando-se do cidadão comum, que passou a encarar os jornais como parte de um sistema que pensa e age em função dos seus próprios interesses; o distanciamento em relação à Imprensa levou o cidadão desiludido e contaminado pela sensação de desamparo a buscar nas redes sociais o conforto de encontrar pessoas com as mesmas frustrações”. A sua conclusão é que “há necessidade de um contraponto à desinformação, e de uma alfabetização digital para uma sociedade que está entrando numa nova era da comunicação”, mas que, infelizmente, a Imprensa não soube estar à altura dessa missão: “A constatação inevitável é que estamos sendo empurrados para a orfandade informativa.” O texto de Carlos Castilho, na íntegra, no site do Observatório da Imprensa, com o qual o CPI tem um acordo de parceria.  
Setembro 18
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