Jornalistas da TDM demitem-se após imposição de nova linha editorial
Pelo menos cinco jornalistas da TDM — Teledifusão de Macau -- apresentaram a demissão, na sequência da directiva que exige uma linha editorial patriótica e que proíbe a divulgação de informações e opiniões contrárias às políticas da China.
A informação foi revelada à agência Lusa por uma das cinco jornalistas portuguesas que trabalham no serviço de rádio em língua portuguesa daquela emissora pública.
Recorde-se que, no início de Março, os jornalistas de língua portuguesa e inglesa da TDM foram informados, numa reunião com a direcção daquele operador, de que não deveriam divulgar opiniões contrárias às políticas da China.
Naquela reunião, a direcção de informação da TDM especificou, igualmente, que os jornalistas deveriam “promover o patriotismo, o respeito e o amor à pátria e a Macau”, ressalvando que aquele operador “é um órgão de divulgação da informação do Governo Central da República Popular da China e de Macau”.
As orientações foram criticadas, nos dias seguintes, pela Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) e o Sindicato de Jornalistas de Portugal, assim como pela Associação de Jornalistas de Macau.
Alguns jornalistas portugueses radicados em Macau mostraram-se, igualmente, preocupados com esta decisão, denunciando a imposição de “mordaças”, bem como a “apatia e o silêncio nos meios de comunicação social e do público em geral”.
Entretanto, perante esta ameaça de censura, os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) anunciaram que irão passar a incluir Macau na sua lista de monitorização, que analisa a liberdade de imprensa em 180 países.
Março 21
Na classificação da liberdade de imprensa, estabelecida anualmente pelos RSF, figurava apenas Hong Kong, que chegou a ser considerado um bastião da liberdade de imprensa, mas caiu do 18.º lugar, em 2002, para 80.º em 2020, enquanto a China continental está em 177.º lugar.
O responsável dos RSF na Ásia acrescentou que a TDM pode converter-se num “órgão de propaganda” da China, devido à “censura da direcção”.
Em comunicado, os Repórteres Sem Fronteiras condenaram, igualmente, “a interferência editorial da direção das emissoras públicas de Hong Kong e Macau”, considerando que a sua independência estava “ameaçada pela censura da administração”.
O chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, reagiu, entretanto, às denúncias dos jornalistas e à decisão dos RSF, afirmando que “o Governo não apertou o controlo dos meios de comunicação social”.
“A TDM é uma empresa pública e um meio de comunicação local, acho que todos os meios de comunicação social amam a pátria e Macau, de certeza. Não foram dadas novas indicações”, adiantou.
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