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Jornalistas afegãs vítimas do regime talibã

Os “media” afegãos estão a ter dificuldades para assegurar o seu funcionamento, perante a introdução de novas medidas restritivas pelo governo talibã, denunciou Raksha Kumar num relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism. Conforme recordou Kumar, desde que os talibãs voltaram a assumir o governo do Afeganistão, mais de 250 publicações mediáticas fecharam portas, resultando no desemprego de 70% do número total de jornalistas nacionais. Além disso, do número total de mulheres jornalistas registadas, apenas 79 continuam a trabalhar na capital do país, Cabul. No ano passado, recorda um relatório dos Repórteres sem Fronteiras, eram 700. “A nova regulamentação dos ‘media’, bem como as ameaças aos jornalistas, reflectem um esforço para silenciar as críticas contra o regime talibã”, afirmou ?Patricia Gossman, colaboradora da Human Rights Watch.”O desaparecimento de qualquer espaço para dissidências, bem como as restrições contra as mulheres no jornalismo e nas artes, representam algo devastador”. Perante este cenário, continuou Raksha Kumar, os profissionais dos “media” têm, agora, de ter cuidados acrescidos, de forma a garantir a sua segurança e integridade física. “Infelizmente, o quotidiano das jornalistas deixou de ser normal”, disse uma jovem jornalista, citada por Kumar. “Deixou de haver segurança e já não recebemos qualquer tipo de remuneração”. Além disso, continuou a autora, algumas destas profissionais foram forçadas a abandonar o país. Perante este cenário Kumar insta as autoridades internacionais a ajudarem estas profissionais, quer através da concessão de asilo, quer através da atribuição de credenciais jornalísticas noutros países. Aliás, relembrou a autora citando Heather Barr, da associação Women’s Rights, o “maior favor que a comunidade internacional pode fazer às jornalistas afegãs, é não se esquecer delas”.
Dezembro 21
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