Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe
Jamal Kashoggi parte do mais recente relatório sobre a liberdade no mundo, publicado pela Freedom House, para manifestar o seu choque por ter encontrado apenas um país árabe na categoria de “livre”: a Tunísia. A Jordânia, Marrocos e o Kuwait vêm na segunda posição, como “parcialmente livres”, e os restantes países árabes como “não livres”.
Menciona depois o caso de um seu amigo saudita, o escritor Saleh al-Shehi, que redigiu uma das colunas de opinião mais famosas jamais publicadas na imprensa saudita. “Infelizmente, hoje cumpre uma pena de cinco anos de prisão por supostos comentários contra o establishment saudita.”
Segundo o autor, o silêncio da comunidade internacional está a dar aos governos árabes “carta branca para continuarem a silenciar os meios de comunicação a um ritmo cada vez mais rápido”:
“Houve um tempo em que os jornalistas pensaram que a Internet libertaria a informação da censura e do controlo que se exerciam sobre os media impressos, Mas estes governos, cuja própria existência depende do controlo da informação, bloquearam agressivamente a Internet e detiveram jornalistas locais, pressionando os anunciantes a reduzirem as receitas de determinadas publicações.” (...)
Khashoggi aponta como oásis onde ainda se vive o espírito da Primavera árabe o caso do Qatar, que continua a apoiar a cobertura de notícias internacionais. Mesmo na Tunísia e no Kuweit, como afirma, “os media centram-se em temas locais, não em temas que digam respeito ao conjunto do mundo árabe, e são avessos a proporcionar uma plataforma para os jornalistas da Arábia Saudita, Egipto e Iémen.”
“Mesmo o Líbano, a jóia da coroa do mundo árabe no que se refere à liberdade de Imprensa, caíu vítima da polarização e da influência do Hezbolah pró-iraniano.” (...)
A terminar, Khashoggi salienta a importância de os seus artigos serem traduzidos do inglês para o árabe e agradece ao Washington Post por isso.
“O mundo árabe precisa de uma versão moderna dos antigos meios de comunicação transnacionais, para que os cidadãos possam ser informados sobre acontecimentos mundiais. E, o que é mais importante, temos de proporcionar uma plataforma às vozes árabes.”
“Sofremos de pobreza, má gestão e educação deficiente. Por meio da criação de um fórum internacional independente, protegido da influência de governos nacionalistas que espalham o ódio pela propaganda, as pessoas normais e correntes do mundo árabe poderiam abordar os problemas estruturais com que se debatem as suas sociedades.”
O último editorial de Jamal Khashoggi, aqui traduzido por El País