A imprensa francesa uniu-se para exigir a libertação do jornalista francês Christophe Gleizes, detido na Argélia e condenado, no final de Junho, a sete anos de prisão por alegada “apologia do terrorismo”. 

Numa carta aberta divulgada a 26 de Novembro, nove organizações profissionais (entre as quais os Repórteres Sem Fronteiras e vários sindicatos) denunciaram a condenação do repórter de 36 anos, colaborador das revistas So Foot e Society. Segundo estas entidades, Gleizes “não cometeu qualquer crime” e deve ser libertado sem demora. 

“Esperamos que ele possa reunir-se com a sua família e retomar o seu trabalho”, escreveram os signatários na carta, publicada em diversos órgãos de comunicação de grande circulação. Para estes grupos profissionais, o caso constitui um precedente perigoso para o exercício do jornalismo e para o respeito pelo direito à informação. 

As autoridades argelinas acusam o jornalista de ter mantido contactos com um dirigente do clube de futebol Jeunesse Sportive de Kabylie (JSK), igualmente responsável pelo Movimento para a Autodeterminação da Cabília (MAK), classificado como organização terrorista pelas autoridades argelinas desde 2021. No entanto, as organizações francesas salientam que “um repórter que entrevista um dirigente desportivo não é cúmplice das suas posições: está a fazer o seu trabalho”. 

Numa altura em que as relações entre França e Argélia atravessam um momento de tensão, os signatários alertam para os riscos de confundir divergências diplomáticas com perseguições judiciais: “As tensões diplomáticas nunca devem levar à prisão, sobretudo dos jornalistas.” Por isso, insistem, “a liberdade de imprensa não pode ser feita refém”. 

Os grupos profissionais reivindicam que o processo judicial cumpra padrões internacionais de imparcialidade. “Apelamos ao respeito pelo direito à informação, independentemente do contexto político, e a procedimentos judiciais que garantam uma averiguação justa e imparcial dos factos”, afirmam na mesma carta. 

(Créditos da imagem: Repórteres Sem Fronteiras)