Relatório da Reuters analisa tendências para o jornalismo em 2022
Este vai ser um ano de consolidação para a nova era do jornalismo que, em contexto de pandemia, passou a apostar na digitalização e na introdução de novos modelos noticiosos, de acordo com o Relatório do Reuters Institute sobre as Tendências dos “media” em 2022, que se baseou nas respostas de 246 editores.
Conforme apontaram os profissionais entrevistados, é possível que, em 2022, assistamos, também, a um novo tipo de aposta para a retenção de subscritores, uma vez que, no rescaldo da pandemia, muitos cidadãos se afastaram do consumo noticioso.
Este tipo de estratégia servirá, igualmente, para conquistar as camadas mais jovens da sociedade, que demonstram uma preferência pela leitura de informação em formatos inovadores e multiplataforma.
No que diz respeito ao modelo de negócio, o relatório prevê que a maioria das publicações jornalísticas continue a apostar na aceleração do digital, uma vez que as versões impressas deixaram de ser consideradas financeiramente sustentáveis.
Aliás, cerca de 80% dos profissionais inquiridos pelo Reuters Institute confirmaram um foco nas subscrições digitais, enquanto principal fonte de receitas, em detrimento da circulação em papel e dos investimentos publicitários.
Ainda no contexto da sustentabilidade financeira, cerca de 30% dos editores disse esperar receitas significativas através do licenciamento de conteúdos para plataformas de tecnologia, redes sociais, e motores de pesquisa.
Os profissionais inquiridos demonstraram, ainda, vontade de continuar a acompanhar a evolução tecnológica, através da introdução do pagamento de subscrições por via das criptomoedas.
Outra das áreas a ser reforçada será a das “newsletters” e dos “podcasts”, devido à popularidade deste tipo de produtos. Haverá, ainda, uma forte aposta no refinamento dos “sites” e “apps”, que deverão tornar-se mais rápidos e eficientes.
Fevereiro 22
Neste sentido, é possível que alguns leitores optem por apoiar a produção de conteúdo independente, com destaque para os “podcasts” e “newsletters” de “nicho”.
Quanto à publicação de conteúdos nas redes sociais, os editores manifestaram um menor interesse em partilhar notícias no Facebook e no Twitter, uma vez que procuram, agora, alcançar leitores através do Inatagram, do TikTok e do Youtube. Assistiremos, assim, a uma nova mudança no formato de vídeo.
A presença de conteúdos das redes sociais deverá, contudo, passar a contar com um maior nível de regulamentação, como forma de combater monopólios, e promover práticas favoráveis à concorrência.
É preciso, contudo, ter em conta que continua a haver entraves à introdução de novas tecnologias, com mais de 50% dos editores inquiridos a revelarem não ter rendimentos suficientes para adquirir novas ferramentas.
Isto resultará, potencialmente, numa maior disparidade no sector, uma vez que apenas as grandes editoras parecem ter a capaidade de apostar na inovação contínua.
O relatório aponta, igualmente, para as alterações do modelos de trabalho, uma vez que grande parte das redacções adoptaram um regime híbrido.
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