Jornalistas africanos com dificuldades para se instalarem em “media” europeus
Perante as constantes ameaças e detenções, muitos jornalistas africanos optam por pedir exílio em países europeus, onde pretendem continuar a exercer as suas funções, enquanto profissionais dos “media”.
Quando chegam ao país de acolhimento, estes profissionais dirigem-se a redacções e empresas de “media”, na esperança de novas oportunidades de emprego, e de uma vida estável num país pacífico.
Contudo, segundo notou Kpénahi Traoré num artigo publicado no “site” do “International Journalists’ Network”, a realidade fica aquém das expectativas destes jornalistas.
Em França, por exemplo, muitos dos profissionais têm dificuldade em manter-se no sector devido a barreiras culturais, tecnológicas e linguísticas.
Assim, enquanto alguns profissionais ficam dependentes do apoio de associações de caridade, como a Maison de Journalists, outros são forçados a encontrar empregos precários.
Foi esse o caso do jornalista guineense Alpha Kaba, que chegou a França em 2016, na esperança de encontrar melhores oportunidades, depois de enfrentar aquilo que descreveu como “o inferno na Líbia”.
“Fiquei surpreendido por descobrir que é difícil sobreviver em França, especialmente enquanto jornalista”, afirmou. “Normalmente, as pessoas dizem-me que tenho um sotaque africano. Isto também aconteceu em algumas empresas de ‘media’”.
Abril 21
Agora, Kaba trabalha como segurança. Para se manter ligado à profissão, apresenta, numa rádio sem fins lucrativos em Bordéus, o programa semanal “L'Afrique en question”.
O seu principal objectivo é conseguir regressar à Guiné, para exercer jornalismo de forma livre e independente.
De acordo com o autor, esta é uma realidade bastante comum na Europa.
Aliás, desde a sua criação, em 2002, a Maison de Journalists já ajudou mais de 400 profissionais.
Desses, quarenta por cento provêm do Médio Oriente, 28% da África Subsaariana e os restantes 30% da Ásia, Norte de África e Caraíbas.
E, apesar de alguns destes profissionais conseguirem, ocasionalmente, trabalhar como “freelancer”, a maioria depende do apoio de organizações semelhantes.
Assim, os países europeus deixaram de ser considerados refúgios para jornalistas exilados, que são, agora, confrontados com uma realidade instável e, por vezes, hostil.
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