A revista britânica The Economist lançou uma aplicação nativa para o ChatGPT, tornando-se uma das primeiras grandes publicações de informação generalista a desenvolver uma ferramenta própria integrada na plataforma de inteligência artificial. 

Designada “The Economist – Graphs”, a aplicação permite aos utilizadores interagir directamente com visualizações de dados produzidas pela revista, oferecendo uma nova forma de acesso e exploração de conteúdos jornalísticos através de conversação com inteligência artificial. 

Numa fase inicial, a aplicação está centrada em dados de sondagens políticas dos Estados Unidos, nomeadamente no acompanhamento contínuo da taxa de aprovação de Donald Trump. Os utilizadores podem consultar gráficos e indicadores segmentados por estados, grupos demográficos e temas eleitorais, obtendo respostas baseadas nos dados recolhidos e analisados pela publicação. 

Segundo Josh Muncke, vice-presidente de Inteligência Artificial Generativa da The Economist, a iniciativa surge como resposta às mudanças nos hábitos de consumo de informação, sobretudo entre os públicos mais jovens. 

“O público mais jovem está a adoptar ferramentas como o ChatGPT como primeiro recurso para responder a perguntas ou encontrar informações”, afirmou o responsável ao Nieman Lab, acrescentando que o objectivo passa por testar novas formas de descoberta e utilização dos conteúdos produzidos pela revista. 

Dados eleitorais e visualizações interactivas 

A nova aplicação permite responder a questões relacionadas com a popularidade de Donald Trump, incluindo comparações entre os seus dois mandatos presidenciais, níveis de aprovação por estado ou desempenho junto de diferentes segmentos do eleitorado, como os jovens votantes. 

Ao privilegiar gráficos e visualizações interactivas, a publicação procura oferecer uma experiência distinta daquela que seria obtida através de uma resposta textual convencional gerada por um chatbot

A ferramenta utiliza os dados do projecto “Trump Tracker”, uma plataforma já disponibilizada gratuitamente pela revista e dedicada à monitorização da evolução da opinião pública em relação ao presidente norte-americano. 

Estratégia de aproximação aos utilizadores de IA 

Com esta aposta, a The Economist pretende aproximar-se dos mais de 900 milhões de utilizadores activos semanais do ChatGPT, explorando novas formas de distribuição e consumo de informação num ambiente cada vez mais dominado pela inteligência artificial. 

Neste momento, os editores de notícias procuram adaptar-se a um cenário em que os utilizadores recorrem crescentemente a assistentes conversacionais para obter informação, reduzindo o tráfego directo para os sites dos meios de comunicação. 

Apesar disso, a revista sublinha que o objectivo da iniciativa não passa apenas por gerar visitas ou assinaturas, mas também por compreender melhor os comportamentos dos utilizadores destas plataformas e avaliar novas oportunidades de relacionamento com o público. 

“Estamos a testar as águas”, afirmou Josh Muncke. “Estamos a tentar fazê-lo de uma forma sensata, que continue ligada aos princípios de fiabilidade, qualidade e integridade da The Economist.” 

O lançamento da aplicação reflecte uma tendência crescente de aproximação entre organizações jornalísticas e plataformas de inteligência artificial. À medida que os chatbots se afirmam como ferramentas de acesso à informação, os meios de comunicação procuram encontrar modelos que permitam preservar a relevância das suas marcas, garantir a visibilidade dos seus conteúdos e explorar novas formas de interacção com os leitores. 

(Créditos da imagem: Imagem retirada do site do NY Times)