O Mississippi Today, jornal que venceu um Prémio Pulitzer com uma reportagem de investigação, questionou se as peças publicadas junto dessa investigação influenciaram a forma como o público a recebeu. Os investigadores do Local NExT Lab, da Universidade de Syracuse, conseguiram obter uma resposta. 

Num inquérito nacional, 1 768 adultos leram a mesma reportagem de investigação, acompanhada de diferentes tipos de artigos. Num grupo, surgia ao lado de notícias positivas sobre a comunidade. Noutro, aparecia junto de outras investigações. 

Os participantes consideraram a reportagem mais rigorosa e relevante quando era apresentada com conteúdos comunitários do que quando partilhava o espaço com outras investigações. Numa terceira combinação, com artigos sobre legislação, a reacção foi inconsistente. 

Os investigadores queixam-se de que as redacções ignoram as suas conclusões ou não respondem a propostas de experiências. Editores e jornalistas dizem não ter tempo para ler artigos densos e cheios de jargão, e irritam-se com pedidos de tempo e recursos que não têm. 

Joshua Darr, director do laboratório e professor associado da Universidade de Syracuse, garante que o modelo do laboratório evita estes constrangimentos, já que as redacções locais não precisam de investir dinheiro nem trabalho. Basta aceitarem duas ou três conversas. Os investigadores ouvem, depois concebem, executam e analisam as experiências. Em troca, a redacção vê as suas ideias testadas e recebe provas causais. 

Outra experiência do laboratório incidiu sobre o Instagram. Os reels com os rostos dos repórteres geraram mais interesse e envolvimento. Mas, na hora de clicar em “seguir”, destacaram-se os perfis com aspecto de marca noticiosa tradicional: os participantes seguiram mais vezes a redacção, neste caso a Rádio Pública de Nova Orleães, do que as contas com o nome dos repórteres. 

O primeiro conjunto de testes foi financiado pela Fundação W.K. Kellogg. O apoio adicional do American Journalism Project permitirá novas experiências, com um grupo maior, no próximo ano. O relatório completo está disponível online.

(Créditos da imagem: Magnific)