Jornalista georgiana condenada por tribunal
O Observador noticiou que o Tribunal de Recurso de Kutaisi confirmou a pena de dois anos de prisão aplicada à jornalista georgiana Mzia Amaghlobeli, distinguida em 2024 com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento. A decisão mantém a condenação por alegada agressão a uma alta autoridade policial durante os protestos que se seguiram às eleições legislativas de Outubro de 2024.
A defesa de Amaghlobeli tinha recorrido da sentença, alegando que esta era desproporcional e politicamente motivada. Porém, os juízes recusaram anular a condenação.
Perante o tribunal, a jornalista declarou: “Não tenho medo da prisão. O que me assusta é o que me espera lá fora: será um país a lutar pela liberdade ou um país conquistado?”
Detida desde Janeiro de 2025, Amaghlobeli é acusada de ter agredido um agente sénior durante uma das manifestações massivas desencadeadas após o anúncio dos resultados eleitorais.
Co-fundadora dos meios independentes Batumelebi e Netgazeti, Amaghlobeli, de 50 anos, recebeu o Prémio Sakharov ao lado do jornalista polaco-bielorrusso Andrzej Poczobut, ambos reconhecidos como símbolos da “luta pela democracia”.
A atribuição do prémio pelo Parlamento Europeu ocorreu em Outubro de 2024, no auge da crise política que atravessa a Geórgia. As legislativas de Outubro de 2024, vencidas pelo partido no poder, Sonho Georgiano, desencadearam uma vaga de contestação da oposição pró-europeia, que denunciou irregularidades e falta de transparência.
Os protestos mobilizaram dezenas de milhares de pessoas nas ruas das principais cidades, mas não alteraram a posição do Governo, acusado por críticos de deriva autoritária e de aproximação estratégica à Rússia. O Executivo georgiano rejeita as acusações e contrapõe que a oposição procura “tomar o poder pela força”.
Durante a detenção, Amaghlobeli realizou uma greve de fome de 38 dias, interrompida apenas quando o seu estado de saúde se agravou significativamente.
A Geórgia é país candidato à União Europeia desde Dezembro de 2023, estatuto inscrito na própria Constituição. Contudo, o Governo suspendeu há cerca de um ano as negociações com Bruxelas até, pelo menos, 2028. Esta decisão também motivou protestos em massa. A UE tem advertido o Governo georgiano contra retrocessos democráticos e contra qualquer deterioração no processo de adesão.
(Créditos da imagem: imagem retirada do site da Amnistia Internacional)