Depois do ataque do Hamas a Israel no dia 7 de Outubro de 2023 e do início da resposta israelita com o bombardeamento de Gaza, a pressão sobre os jornalistas e as organizações de media na região aumentou exponencialmente e o “direito à informação sobre o que está a acontecer tem-se vindo a desgastar”, aponta a organização Repórteres Sem Fronteiras, um ano após o início do conflito.

A RSF assinalou a data reforçando que está “solidária com os jornalistas em Gaza” e reiterando o seu “apelo urgente à comunidade internacional para os proteger”.

A organização condena, ainda, o “clima de intimidação” aos jornalistas e pede a Israel que páre de impedir estes profissionais de fazer o seu trabalho.

“Um ano completo de guerra tem significado um ano de violência sem precedentes contra os jornalistas [...]. As forças israelitas têm feito tudo ao seu alcance para evitar a cobertura do que se está a passar em Gaza, e tem atacado sistematicamente os jornalistas, que correm riscos tremendos para fazer o seu trabalho”, disse Rebecca Vincent, directora de campanhas da RSF.

O apagão informativo em Gaza

São várias as formas de ataque aos media por parte de Israel.

Segundo a RSF, no último ano, mais de 130 jornalistas palestinianos foram mortos pelas forças israelitas, sendo que pelo menos 32 destes morreram enquanto faziam o seu trabalho de cobertura do conflito. A RSF tem também informação de jornalistas detidos e torturados.

Ao mesmo tempo, as autoridades de Israel têm expulsado alguns profissionais do território e impedido a entrada de jornalistas estrangeiros. “Os poucos repórteres que tiveram permissão para entrar em Gaza apenas o conseguiram sob vigilância apertada do exército israelita”, descreve a RSF.

A repressão também se faz sentir através da destruição de escritórios reservados à imprensa e do corte da Internet e da electricidade.

Os profissionais que continuam a trabalhar no terreno são “frequentemente vítimas de campanhas de propaganda que questionam a sua integridade, acusando-os de estar ao lado dos combatentes [do Hamas] ou de ter participado nos ataques de 7 de Outubro”, refere a organização internacional.

“Estas violações chocantes da liberdade de imprensa têm sido recebidas com impunidade generalizada”, aponta a RSF, que já submeteu quatro queixas ao Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra contra os jornalistas em Gaza.

A organização internacional “apela, nos termos mais veementes, ao fim imediato da violência contra os jornalistas em Gaza, à adopção de acções concretas para pôr fim à impunidade dos ataques que já ocorreram e à abertura imediata do acesso aos jornalistas estrangeiros sem mais demora”, reforça Rebecca Vincent, da RSF.