Sobreviventes de ataques terroristas no Reino Unido e familiares de vítimas mortas pedem mudanças urgentes na forma como os meios de comunicação social cobrem estes acontecimentos, avança o The Guardian. Segundo testemunhos, muitos foram abordados de forma invasiva por jornalistas, por vezes antes mesmo de confirmarem a morte dos seus entes queridos.

As novas directrizes, elaboradas pelo grupo Survivors Against Terror, apelam a que os meios de comunicação não abordem as famílias enlutadas nas primeiras 48 horas após os ataques. Durante esse período, todas as perguntas devem ser feitas através das autoridades policiais. 

Ella Young, sobrevivente dos atentados de 7 de Julho de 2005 em Londres, relatou o seu caso: “Fui abordada por um homem que ofereceu ajuda para contactar o meu marido. Mais tarde descobri que era um jornalista. Ele não fez qualquer esforço para contactar o meu marido, mas em vez disso - nos dias e semanas que se seguiram - importunou-me para obter entrevistas e informações”. Ella Young viu-se obrigada a mudar o seu número de telefone, os dados das redes sociais e os e-mails

O novo código também recomenda que se evite a glorificação dos terroristas, limitando a exposição dos seus nomes, imagens ou manifestos. O objectivo é retirar-lhes a visibilidade que procuram e proteger as vítimas da revitimização. 

Figen Murray, mãe de Martyn Hett, vítima do atentado em Manchester em 2017, sublinhou a importância das mudanças: “A minha filha soube da morte do irmão através de um jornalista que apareceu à porta. Nunca poderei voltar atrás, mas posso encorajar-nos a aprender com os erros.” 

A actual regulação da imprensa, através do código voluntário da Independent Press Standards Organisation (Ipso), é vista como insuficiente, uma vez que apenas apela a uma abordagem “com simpatia e discrição”, sem impor limites concretos. 

Brendan Cox, cofundador da Survivors Against Terror, afirma que “a cobertura mediática dos ataques terroristas é do interesse público — o que não é, é a intrusão na vida das vítimas e dos sobreviventes”.

(Créditos da imagem: Peter Macdiarmid/Getty Images/PA - fotografia retirada do site do The Guardian)