A imprensa venezuelana continua a enfrentar fortes restrições no acesso à Internet, com pelo menos 43 meios de comunicação nacionais e internacionais sujeitos a bloqueios dentro do país, segundo dados divulgados pelo Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) e pelo Observatório Venezuela Sem Filtro. 

As informações foram tornadas públicas no âmbito do Dia Mundial Contra a Censura na Internet e visam alertar para o estado da liberdade de expressão no ambiente digital venezuelano. 

De acordo com as organizações, os bloqueios são implementados através dos principais operadores de telecomunicações do país, incluindo a estatal Cantv e empresas privadas como Movistar, Digitel, Inter e NetUno. 

As restrições recorrem a mecanismos técnicos como filtragem de DNS (sistemas de nomes de domínio) e limitações aos protocolos HTTP e HTTPS, impedindo o acesso normal aos sites. Este tipo de prática tem sido recorrente: entre 2016 e 2025 foram registados mais de 1300 casos de bloqueio de páginas na Venezuela, muitos ainda activos. 

Segundo as organizações, estas medidas são executadas por instruções da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), entidade estatal responsável pelo sector. 

Falta de transparência preocupa ONG 

Um dos principais pontos de crítica prende-se com a opacidade dos processos. As ONG denunciam que os bloqueios são aplicados sem decisões judiciais públicas nem explicações claras sobre a sua base legal. 

Este padrão reforça preocupações já manifestadas por entidades internacionais, que têm denunciado uma “censura sistemática” e limitações ao acesso à informação no país. 

Além disso, o controlo da infraestrutura de telecomunicações é apontado como um instrumento central de condicionamento informativo. Para as organizações, esse controlo “tornou-se um factor com impacto directo sobre o acesso dos cidadãos a conteúdos jornalísticos independentes”. 

Censura migra para o espaço digital 

Os dados indicam ainda uma mudança de estratégia por parte das autoridades venezuelanas. As restrições que anteriormente incidiam sobre meios tradicionais — como rádio e imprensa — estão agora a ser progressivamente transferidas para o ambiente online

Este fenómeno ocorre num contexto mais amplo de limitações ao acesso à Internet, incluindo bloqueios de redes sociais, VPN e serviços digitais, que dificultam o contorno da censura e o acesso a informação independente. 

(Créditos da imagem: Pexels)