Relatório da FIJ denuncia a morte de 128 jornalistas em 2025
Um total de 128 jornalistas e profissionais dos media foram assassinados em 2025 em consequência directa do seu trabalho, segundo o 35.º relatório anual da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). O documento alerta para o agravamento dos riscos enfrentados pela profissão e pede uma resposta urgente da comunidade internacional para combater a impunidade.
De acordo com a organização, o relatório “documenta o assassinato de 128 profissionais dos media, incluindo 11 mulheres e nove mortes acidentais”. A FIJ considera que estes números confirmam “uma realidade global preocupante: o assassinato de jornalistas tornou-se uma ferramenta aceite de guerra, repressão e controlo da informação”.
Perante este cenário, a federação apela aos Estados-Membros das Nações Unidas para que aprovem um novo instrumento jurídico internacional. A organização insta-os a adoptarem “com urgência, a Convenção Internacional sobre a Segurança e a Independência dos Jornalistas”, destinada a reforçar a protecção da profissão e a responsabilizar os autores destes crimes.
Façamos uma análise da situação por cada parte do Mundo:
Médio Oriente concentra maioria das mortes
Pelo terceiro ano consecutivo, o Médio Oriente e o mundo árabe foram as regiões mais perigosas para os profissionais da comunicação social. Em 2025, registaram-se 74 jornalistas mortos, o equivalente a 58% do total mundial.
Grande parte destas mortes ocorreu no contexto da guerra em Gaza, na Palestina, onde foi alcançado apenas um cessar-fogo em Outubro de 2025. Entre as vítimas contam-se 56 jornalistas assassinados na Palestina.
O relatório indica ainda que 18 jornalistas morreram em África, 15 na região da Ásia-Pacífico, 11 nas Américas e 10 na Europa.
Para além dos números, o relatório inclui várias histórias que ilustram os riscos enfrentados por jornalistas em diferentes regiões do mundo.
No Sudão, quatro membros de uma equipa da Televisão Nacional Sudanesa (três jornalistas e um motorista) foram mortos num ataque com drone enquanto cobriam combates em Cartum. O ataque foi atribuído às Forças de Apoio Rápido (RSF), num país que se tornou um dos mais perigosos do mundo para exercer jornalismo desde o início da guerra civil em 2023.
Na América Latina, o jornalista peruano Mitzar Castillejos foi baleado quando saía de casa para apresentar o noticiário diário numa rádio local. Conhecido pelas suas investigações sobre alegada corrupção nas autoridades locais, acabou por morrer dias depois num hospital em Lima. Segundo a Associação Nacional de Jornalistas do Peru, 2025 foi o ano mais letal para jornalistas no país neste século.
A presidente da organização, Zuliana Lainez, alertou que “estes assassinatos podem ter um efeito assustador, criando entre os jornalistas a sensação de que ninguém na nossa profissão está a salvo”.
Na Índia, o jornalista freelancer Mukesh Chandrakar foi encontrado morto numa fossa séptica depois de ter publicado uma reportagem sobre irregularidades num projecto de construção de uma estrada. O caso levou à detenção de vários suspeitos, incluindo o empreiteiro responsável pela obra.
Guerra na Ucrânia atinge jornalistas
Na Europa, nove dos dez jornalistas mortos em 2025 estavam ligados à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Entre os casos citados está o da correspondente de guerra ucraniana Olena Gramova e do operador de câmara Yevgen Karmazin, mortos num ataque de drone russo em Kramatorsk.
Segundo o presidente da União Nacional de Jornalistas da Ucrânia, Sergiy Tomilenko, “hoje, na Ucrânia, a principal ameaça para os jornalistas, bem como para a população civil, são os drones russos que têm como alvo as pessoas”.
Apelo à protecção da liberdade de imprensa
Perante o aumento da violência contra profissionais da comunicação social, a presidente da FIJ, Dominique Pradalié, defende a criação urgente de mecanismos internacionais que protejam os jornalistas.
“Ano após ano, os jornalistas são assassinados por fazerem o seu trabalho: publicar informações de interesse público e expor a corrupção e os crimes de guerra”, afirmou.
A dirigente sublinha que é necessário pôr fim ao ciclo de impunidade que acompanha muitos destes crimes: “É tempo de os Estados-Membros da ONU adoptarem esta convenção de uma vez por todas para proteger os jornalistas, defender a liberdade de imprensa e salvaguardar as nossas democracias”.
(Créditos da imagem: Imagem retirada do site Telegrafi)