Financial Times encerra contas de 2025 com receitas recorde
O Grupo Financial Times voltou a bater o seu próprio recorde de receitas em 2025. O volume de negócios subiu 5%, para 566 milhões de libras, e o lucro operacional aumentou 23%, para 51,8 milhões de libras.
Com este resultado, o Grupo mantém uma série de crescimentos anuais iniciada em 2017, interrompida apenas em 2020, devido à pandemia de Covid-19. Em 2025, assinalou uma década desde a aquisição total do FT pela japonesa Nikkei, que não divulga as contas globais do Grupo.
Meta dos três milhões ultrapassada
O FT Group indica ter agora cerca de 3,5 milhões de pessoas a pagar pelos seus conteúdos e eventos em todo o mundo. O objectivo era chegar aos três milhões de pagantes até 2028, marca que foi superada já no ano passado. O total inclui os assinantes do próprio jornal, os das 17 marcas especializadas do Grupo e os participantes dos eventos FT Live.
Nas contas do Financial Times Ltd., a receita da empresa britânica subiu 5%, para 477,3 milhões de libras, enquanto o lucro operacional aumentou 151%, para 18,3 milhões de libras. A marca principal terminou 2025 com 1,62 milhões de leitores pagantes em todos os formatos, dos quais 1,47 milhões eram assinantes digitais, ambos os valores com um crescimento de 9%. Segundo o FT, o total de leitores pagantes já ronda os 1,9 milhões.
O director executivo, Jon Slade, referiu no relatório interno que o FT.com tinha mais de 700 mil utilizadores habituais em 2025 e mais de um milhão de utilizadores reconhecidos, isto é, registados com pelo menos um endereço de e-mail.
Publicidade com o melhor ano desde 2012
A publicidade, no site e na edição impressa, registou o melhor desempenho desde 2012. Cresceu 5%, para 134,6 milhões de libras, superando por pouco o anterior máximo, de 134 milhões em 2023. Representa 24% da receita do Grupo, a mesma fatia de 2024.
O digital ultrapassou pela primeira vez os 70 milhões de libras, ao fixar-se nos 70,9 milhões, enquanto o papel gerou 63,7 milhões. Para Slade, o digital mostrou um crescimento constante e o impresso continua a ser uma parte estratégica.
Subscrições sustentam o modelo
As subscrições individuais rendem 116 milhões de libras, mais 7% do que no ano anterior, e correspondem a 21% da receita do Grupo. A receita média por subscritor subiu de 400 para 412 libras.
A área FT Professional, que reúne subscrições empresariais e outros serviços a empresas, cresceu 11% e continua a ter um peso significativo na audiência paga global. O relatório destaca a resiliência do desempenho apesar de um contexto de incerteza em torno de contratos com o governo norte-americano, com taxas de renovação corporativa acima dos 100%.
Na Conferência sobre o Futuro da Tecnologia dos Media do Press Gazette, Slade defendeu que a maior parte do tráfego e da monetização do FT vem da relação directa com os leitores, que procuram a marca e o seu jornalismo. Este é, disse, o modelo prioritário do Grupo, e permite depois desenvolver a publicidade a partir dessa audiência. O objectivo de ter os leitores como principal cliente é manter o controlo e reduzir a vulnerabilidade face a terceiros e a mudanças tecnológicas.
As marcas da FT Specialist, como a The Banker, cresceram 7% no conjunto. A Endpoints News, adquirida em 2023, aumentou a receita em 19%. Em sentido contrário, a consultora FT Strategies gerou quase 12 milhões de libras, abaixo dos quase 15 milhões de 2024. O Grupo tem ainda um braço de investimento, a FT Ventures.
(Créditos da imagem: Financial Times)