O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, ordenou o encerramento das emissões informativas dos principais canais públicos de televisão e rádio. Numa publicação nas redes sociais, Magyar classificou a decisão como um momento de ruptura com o anterior modelo de comunicação pública. "Hoje, acabou a transmissão de propaganda nas plataformas dos meios de comunicação públicos", escreveu. 

O chefe do Governo foi ainda mais longe, descrevendo a decisão como um "dia histórico". "Mentiram à noite, mentiram durante o dia, mentiram em todos os canais. Isso acabou", afirmou. 

Segundo o primeiro-ministro, o canal televisivo M1 e a rádio Kossuth interromperam as emissões informativas durante a tarde, enquanto decorre um processo de reorganização editorial. 

Durante a interrupção das emissões, o canal M1 passou a exibir um ecrã negro acompanhado de uma mensagem dirigida aos espectadores: "Os meios de comunicação públicos não podem mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante muitos anos. A imprensa pública está a transformar-se para ser independente e confiável no futuro. O serviço de notícias está temporariamente suspenso. Continue connosco." 

Também os sites dos meios públicos apresentaram temporariamente um ecrã negro, enquanto a frequência da rádio Kossuth passou a retransmitir a programação da estação de música clássica Bartók. 

A suspensão dos serviços informativos concretiza uma promessa feita por Péter Magyar poucos dias depois da vitória nas eleições legislativas de 12 de Abril. Quatro dias após o sufrágio, o primeiro-ministro anunciou, numa entrevista concedida ao próprio canal M1, que iria "suspender imediatamente o serviço de notícias falsas" da televisão pública. 

Durante o período em que Orbán liderou o Governo, a Hungria foi repetidamente criticada por organizações internacionais devido à concentração da propriedade dos meios de comunicação social e à crescente influência política sobre os media

Segundo os Repórteres Sem Fronteiras (RSF), cerca de 80% da imprensa húngara encontrava-se sob controlo directo do Governo ou de empresários próximos do antigo primeiro-ministro. 

A reforma dos meios públicos integra agora o programa de mudanças anunciado por Péter Magyar, que prometeu reforçar a independência editorial das instituições estatais e reverter várias das reformas implementadas durante a anterior governação. 

Embora o Governo ainda não tenha apresentado um calendário para a reorganização definitiva dos serviços públicos de rádio e televisão, o executivo garante que o objectivo passa por criar uma comunicação social pública "independente e confiável", substituindo o modelo que considera ter servido como instrumento de propaganda política.

(Créditos da imagem: Ferenc Isza / AFP)