IPI pede urgência aos EUA para garantir libertação de jornalista no Irão
O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) apelou ao governo dos Estados Unidos para que utilize todos os instrumentos diplomáticos ao seu alcance para garantir tratamento médico urgente ao jornalista Reza Valizadeh, detido no Irão, e para assegurar que a sua libertação seja incluída nas negociações em curso entre Washington e Teerão.
O pedido surge após a divulgação de uma gravação áudio feita a partir da prisão de Evin, em Teerão, onde Valizadeh se encontra desde Setembro de 2024. Na mensagem, o jornalista relata condições severas de detenção, descrevendo episódios de “pressão física e tortura mental” e apelando directamente às autoridades norte-americanas para intervirem em seu favor.
Valizadeh, cidadão com dupla nacionalidade iraniana e norte-americana, trabalhou anteriormente para a Rádio Farda, o serviço em língua persa da Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade. Em Dezembro de 2024, foi condenado a 10 anos de prisão sob a acusação de “colaborar com um governo hostil”.
A prisão de Evin é amplamente conhecida por acolher presos políticos e activistas, sendo frequentemente alvo de denúncias por alegadas violações dos direitos humanos. Algumas organizações internacionais têm documentado, ao longo dos anos, relatos de maus-tratos, detenções arbitrárias e restrições ao acesso a cuidados médicos.
Segundo informações divulgadas pelo advogado de Valizadeh nos Estados Unidos, a saúde do jornalista deteriorou-se significativamente após um ataque israelita à prisão de Evin, em Junho de 2025, que provocou um incêndio nas instalações.
O jornalista, que sofre de asma, terá desenvolvido crises frequentes de tosse devido à inalação de fumo resultante do incêndio. O advogado afirma ainda que lhe foi recusado tratamento adequado para outros problemas de saúde, aumentando as preocupações sobre o seu estado físico.
A divulgação da gravação acontece poucas semanas depois de o regime iraniano ter levantado um bloqueio de internet que durou vários meses e que limitou severamente as comunicações no país.
Prisão sob ameaça
As preocupações com a segurança dos detidos em Evin intensificaram-se ao longo do último ano. A prisão e os bairros circundantes foram repetidamente afectados por ataques e bombardeamentos relacionados com a escalada das tensões entre o Irão, os Estados Unidos e Israel.
O agravamento do conflito aumentou o receio de que os presos possam ficar expostos aos efeitos directos das ofensivas, além das difíceis condições de detenção.
Valizadeh foi oficialmente reconhecido pelo Departamento de Estado norte-americano como um caso de “detenção injusta”, uma classificação reservada a cidadãos considerados presos por motivos políticos ou arbitrários.
Em Fevereiro de 2026, os Estados Unidos designaram formalmente o Irão como um Estado Patrocinador de Detenção Injusta, acusando Teerão de utilizar cidadãos estrangeiros e detentores de dupla nacionalidade como instrumento de pressão diplomática e negociação política.
Libertação poderá integrar negociações
Apesar do agravamento das hostilidades entre Washington, Teerão e Israel, persistem sinais de contactos diplomáticos entre os governos envolvidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou recentemente que continuam a decorrer negociações com o Irão e admitiu a possibilidade de um acordo destinado a pôr fim ao conflito.
Neste contexto, o IPI defende que a situação de Reza Valizadeh deve ser tratada como uma prioridade nas conversações diplomáticas, alertando para a urgência de garantir acesso imediato a cuidados médicos e a sua libertação.
(Créditos da imagem: foto cortesia da Radio Free Europe/Radio Liberty)