Não é novidade para ninguém que os hábitos de consumo de televisão estão a mudar de forma cada vez mais acelerada. Hoje em dia a competição do aparelho tradicional de televisão está espalhada por todo o lado - computadores, smartphones, tablets, até algumas consolas de jogos. A velha imagem de uma sala com uma televisão à volta da qual toda a família se reunia à noite deixou de existir.

Agora, numa família, muitas vezes cada membro tem o seu próprio ecrã. É frequente que uma pessoa esteja até a seguir dois ecrãs em simultâneo, por exemplo o da televisão e o de um tablet. Tudo isto tem efeitos devastadores nas audiências dos canais tradicionais.

Os valores médios do share de audiências deste ano, até agora, dão uma ideia da situação: os quatro canais de sinal aberto (RTP1, RTP2, SIC e TVI), em conjunto, cativaram 39,4% da audiência.

Os outros 60% estão divididos entre o conjunto dos canais de cabo (cerca de 39%) e as plataformas de streaming (cerca de 21%). Nestas há um protagonista que ganha cada vez maior presença, e não é a Netflix. Trata-se do You Tube, por vezes considerado uma rede social, mas que na verdade é um grande ecrã de múltiplos conteúdos, desde filmes clássicos e documentários, passando por canais de orgãos de comunicação, alguns portugueses.

Em Portugal, o YouTube tem 7,49 milhões de utilizadores regulares, posicionando-se como um dos principais meios de consumo de vídeo, muitas vezes superando a TV convencional .

Com estes 7,49 milhões de utilizadores, o YouTube supera o Facebook, que tem 6,20 milhões, e a plataforma é vista por muitos como a "nova televisão", com os utilizadores a passarem muito tempo a assistir a vídeos de tecnologia, automóveis, jogos e entretenimento.

Em termos globais, o YouTube conta com cerca de 60 canais com mais de um milhão de subscritores e mais de 700 canais com mais de 100 mil. A tendência não é só portuguesa - por exemplo em França um estudo recente indica que metade da população residente liga-se ao YouTube pelo menos uma vez por semana. 

(Publicado originalmente no Jornal de Negócios)