A maioria dos norte-americanos considera que ser um bom consumidor de notícias implica adoptar uma postura crítica perante a informação, verificar factos e consultar múltiplas fontes antes de formar opinião. A conclusão resulta de um inquérito do Pew Research Center, desenvolvido no âmbito da iniciativa Pew-Knight, que procurou compreender como os cidadãos encaram hoje o consumo informativo num contexto de polarização política, desinformação e crescimento da inteligência artificial. 

Segundo o estudo, um em cada cinco inquiridos associa directamente o consumo responsável de notícias ao cepticismo e ao discernimento. Muitos dos participantes referiram a necessidade de “não acreditar em tudo o que se ouve”, de olhar para a informação “com cautela” e de desenvolver pensamento crítico perante conteúdos potencialmente manipuladores ou propagandísticos. 

Além disso, 12% dos inquiridos afirmaram que um bom consumidor de notícias deve procurar confirmar informações de forma autónoma, recorrendo a pesquisas próprias, comparação de versões e verificação de factos. O relatório sublinha que 82% dos americanos dizem realizar, pelo menos ocasionalmente, verificações pessoais sobre a exactidão das notícias que consomem. 

Informação regular continua a ser valorizada 

Outra ideia recorrente nas respostas foi a importância de acompanhar regularmente a actualidade. Cerca de 17% dos participantes defenderam que um cidadão informado deve manter contacto frequente com as notícias e os acontecimentos do mundo. 

Frases como “acompanho as notícias diariamente” ou “procuro manter-me informado sobre os acontecimentos actuais” surgem repetidamente nas respostas abertas analisadas pelos investigadores. 

Ainda assim, o estudo identifica diferenças geracionais relevantes. Embora 47% dos adultos considerem “extremamente” ou “muito” importante manterem-se regularmente informados, os mais jovens revelam menor preocupação com esse acompanhamento sistemático. Muitos afirmam consumir notícias sobretudo de forma incidental, através das redes sociais ou de conteúdos que encontram casualmente online

Fragmentação na confiança nos media 

O relatório mostra igualmente que muitos americanos valorizam a qualidade e credibilidade das fontes utilizadas. Cerca de 13% dos inquiridos defenderam que um bom consumidor de notícias deve procurar órgãos de comunicação social “fiáveis”, “equilibrados” e comprometidos com elevados padrões jornalísticos. 

No entanto, o próprio estudo destaca um dos principais desafios actuais: a profunda fragmentação da confiança mediática nos Estados Unidos. As percepções sobre quais os meios considerados credíveis variam fortemente consoante a filiação política dos cidadãos. 

De acordo com o Pew Research Center, “não existe actualmente qualquer órgão de comunicação social em que a maioria dos americanos confie”. Essa divisão torna ainda mais relevante, para muitos cidadãos, a consulta de várias fontes de informação. 

Diversidade de perspectivas ganha importância 

A diversidade de fontes foi mencionada por 10% dos participantes como elemento essencial para um consumo informativo saudável. Muitos defendem que consultar meios distintos e ouvir diferentes perspectivas ajuda a construir uma visão mais equilibrada dos acontecimentos. 

Nos grupos de discussão realizados paralelamente ao inquérito, uma participante descreveu a importância de “verificar, confirmar e reunir notícias de vários tipos de media e múltiplas fontes antes de tirar conclusões”. Outro participante afirmou que “a forma correcta é consumir notícias de múltiplas fontes, de todos os lados, para que se possam obter os factos”. 

A ideia de procurar “os dois lados” de uma questão surgiu frequentemente associada à cobertura política e ao combate à polarização. 

Embora em menor escala, alguns americanos associam igualmente o bom consumo de notícias à responsabilidade na circulação da informação. Cerca de 4% dos inquiridos afirmaram que é essencial evitar partilhar conteúdos falsos ou duvidosos sem confirmação prévia. 

Uma participante dos grupos de foco admitiu ter mudado hábitos nas redes sociais depois de perceber que costumava reenviar vídeos sem os ver integralmente, acabando por divulgar conteúdos enganadores. 

Outros entrevistados destacaram ainda a importância de utilizar a informação jornalística para tomar decisões mais conscientes, incluindo escolhas eleitorais. Um dos participantes resumiu essa ideia afirmando que consumir notícias de forma responsável permite “fazer escolhas conscientes sobre quem escolhes para te representar”.

(Créditos da imagem: Unsplash)