A ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e o LabCom-UBI divulgaram um relatório sobre a disseminação de desinformação nas redes sociais durante as eleições presidenciais portuguesas de 2026, identificando 26 casos associados às contas oficiais de pré-candidatos e candidatos. 

O estudo, intitulado Desinformação nas Presidenciais 2026: actividade dos candidatos nas redes sociais, resulta de um protocolo de cooperação entre a ERC e a Unidade de Investigação em Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior. 

A investigação analisou conteúdos publicados entre 17 de Novembro de 2025 (data do primeiro debate televisivo na TVI) e 8 de Fevereiro de 2026, dia da segunda volta das eleições presidenciais. 

Durante o período em análise, os investigadores monitorizaram sistematicamente a actividade digital de 12 pré-candidatos e candidatos nas plataformas Facebook, Instagram, X, TikTok, YouTube e Threads. No total, foram analisadas 8047 mensagens publicadas nas contas oficiais dos candidatos. 

Segundo o relatório, a actividade concentrou-se sobretudo nas plataformas da Meta, com o Facebook a representar 29,4% das publicações e o Instagram 28,6%. O TikTok surgiu em terceiro lugar, com 16,3%, registando um crescimento significativo face a anteriores ciclos eleitorais. 

Seguiram-se o X, com 14,9%, o Threads, com 7,6%, o YouTube, com 2,3%, e outras plataformas, com 1,1%. 

André Ventura concentrou maioria dos casos 

O relatório conclui que a candidatura de André Ventura foi responsável pela maioria dos conteúdos considerados desinformativos. Dos 26 casos identificados, 23 — equivalentes a 88,5% — foram associados à candidatura do líder do Chega. 

Entre os formatos mais frequentes de desinformação detectados encontram-se conteúdos destinados a descredibilizar os meios de comunicação social e a utilização enganadora de dados relativos a sondagens e inquéritos de opinião. Cada uma destas categorias representou seis casos. 

Recurso a Inteligência Artificial em crescimento 

O estudo destaca igualmente o recurso crescente à Inteligência Artificial na produção e manipulação de conteúdos políticos. Segundo os investigadores, sete dos casos analisados — cerca de 27% — envolveram conteúdos gerados ou alterados com recurso a ferramentas de IA. 

A ERC refere que os casos identificados foram posteriormente avaliados no âmbito das competências regulatórias da entidade, tendo sido determinada a abertura de oito processos de averiguação. 

Alcance superior a 12 milhões de visualizações 

De acordo com o relatório, os conteúdos desinformativos analisados ultrapassaram 12,8 milhões de visualizações nas redes sociais. 

Os investigadores contabilizaram ainda mais de 42 mil partilhas, cerca de 588 mil interacções e mais de 105 mil comentários relacionados com essas publicações. 

A estimativa apresentada aponta para que mais de nove milhões de contas nas redes sociais tenham sido expostas a conteúdos desinformativos difundidos pelas candidaturas durante o período eleitoral. 

(Créditos da imagem: LabCom-UBI)