Um juiz federal norte-americano ordenou o reinício das transmissões da estação pública Voz da América e a recontratação de mais de mil funcionários. A decisão foi proferida a 17 de Março, pelo juiz Royce Lamberth, que determinou a reintegração de 1042 trabalhadores que se encontravam em licença administrativa remunerada há cerca de um ano, na sequência de despedimentos ocorridos em Junho de 2025. 

A medida surge apenas dez dias depois de o mesmo magistrado ter considerado ilegal a nomeação da responsável encarregue de supervisionar as demissões em massa, invalidando assim o processo que levou ao afastamento dos funcionários. 

Em causa está a actuação de Kari Lake, antiga pivô de televisão, nomeada para liderar a Agência de Media Global dos Estados Unidos (USAGM), entidade que supervisiona a Voz da América e outras emissoras públicas internacionais, como a Rádio Europa Livre e a Rádio Ásia Livre. Após assumir funções, Lake anunciou cortes significativos no financiamento e na estrutura da organização. 

Na sua decisão, Royce Lamberth ordenou igualmente que a USAGM apresente um plano detalhado para o restabelecimento das transmissões internacionais, levantando a possibilidade de a Voz da América voltar em breve a operar plenamente à escala global. 

A administração Trump já reagiu, anunciando a intenção de recorrer da decisão judicial. 

Entretanto, três funcionários da Voz da América que haviam contestado judicialmente a nomeação de Kari Lake saudaram a decisão. Em comunicado, manifestaram a expectativa de “reparar os danos causados à agência e aos colegas”, sublinhando a importância de retomar a missão atribuída pelo Congresso norte-americano e de recuperar a confiança do público internacional. 

Fundada durante a Segunda Guerra Mundial, a Voz da América desempenhou, ao longo de décadas, um papel relevante na difusão de informação para países sob regimes autoritários. Em conjunto com a Rádio Europa Livre, criada durante a Guerra Fria, e a Rádio Ásia Livre, lançada em 1996, integrou a estratégia de comunicação externa dos Estados Unidos. 

Contudo, em 2025, Donald Trump assinou uma ordem executiva acusando a emissora de promover um alegado enviesamento político de esquerda e posições anti-americanas, justificando assim as mudanças profundas na sua estrutura. 

(Créditos da imagem: Annabelle Gordon - Reuters)