A Paramount, empresa-mãe da CBS News, acordou pagar 16 milhões de dólares a Donald Trump para encerrar um processo judicial relacionado com a edição de uma entrevista do 60 Minutes com Kamala Harris durante a campanha presidencial de 2024.  

Este é o segundo acordo do género, depois de a ABC ter pago 15 milhões de dólares à fundação de Trump num caso semelhante, em que George Stephanopoulos teria caracterizado incorrectamente a agressão sexual do presidente a E. Jean Carroll. 

“Não houve nada de extraordinário na forma como o 60 Minutes editou a sua entrevista com Harris, e o erro de Stephanopoulos sobre o caso Carroll não foi substantivo, o que torna os processos de Trump contra cada uma das estações totalmente sem mérito”, considera Kyle Paoletta, autor, num artigo para o Columbia Journalism Review. Ainda assim, tanto a Disney (dona da ABC) como a Paramount aceitaram pagar.

Clayton Weimers, director dos Repórteres sem Fronteiras, criticou duramente a decisão da Paramount, considerando-a “vergonhosa” e afirmando que “os líderes da Paramount escolheram estar do lado errado da linha divisória entre os proprietários de meios de comunicação social americanos que estão dispostos a defender a liberdade de imprensa e aqueles que capitulam perante as exigências do presidente”. 

Segundo Seth Stern, da Freedom of the Press Foundation, o caso da Paramount é mais grave: “Há um tipo mais claro de quid pro quo”, já que a empresa está envolvida numa fusão de 8 mil milhões de dólares com o estúdio de cinema Skydance, ainda sob avaliação da Comissão Federal de Comunicações, cujo presidente nomeado por Trump, Brendan Carr, é descrito como “um absoluto fantoche político e lambe-botas”. 

Este contexto levou os senadores Ron Wyden, Elizabeth Warren e Bernie Sanders a alertarem a CEO da Paramount, Shari Redstone, de que tal pagamento poderia configurar suborno federal, advertindo: “É ilegal dar corruptamente qualquer coisa de valor a funcionários públicos para influenciar um acto oficial”. 

Após a oficialização do acordo, Wyden escreveu: “A Paramount acabou de pagar um suborno a Trump para aprovar a fusão. Quando os democratas retomarem o poder, eu serei o primeiro a pedir acusações federais. Entretanto, os procuradores estaduais devem fazer com que os executivos das empresas que venderam a nossa democracia respondam em tribunal, hoje”. 

Entretanto, a Freedom of the Press Foundation, enquanto accionista da Paramount, considera apresentar uma acção judicial contra Redstone e o conselho de administração, por alegada violação do dever fiduciário para com os accionistas da empresa ao facilitarem um suborno ilegal. A advogada Brenna Frey declarou: “A decisão tomada para resolver este processo claramente inconstitucional é um insulto para os jornalistas da CBS, para os jornalistas do 60 Minutes, e é um convite a Trump para continuar a visar outros meios de comunicação”.

(Créditos da imagem: CBS News)