RSF preocupados com suspensão da “Radio Free Asia”
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) diz estar “alarmada” com a suspensão das transmissões em ondas curtas da Radio Free Asia (RFA) em mandarim, tibetano e laociano — a RFA, fundada em 1996, é uma emissora que fornece notícias a regiões da Ásia com severas restrições à liberdade de imprensa, como China, Coreia do Norte e Vietname. Os RSF apelam ao Congresso dos EUA para restaurar o serviço e reafirmar o seu compromisso com a liberdade de imprensa em todo o mundo.
No início deste mês, a Radio Free Asia suspendeu as suas transmissões em ondas curtas em mandarim, tibetano e laociano, após o encerramento de estações apoiadas pelo governo dos EUA. A decisão foi consequência de uma ordem executiva do Presidente Donald Trump, que cortou o financiamento da Agência dos EUA para os Meios de Comunicação Social Globais (USAGM), paralisando o apoio a meios de comunicação como a RFA.
O director-geral dos Repórteres Sem Fronteiras, Thibaut Bruttin, expressou o seu desagrado: "Com a suspensão dos serviços da RFA em mandarim, tibetano e laosiano, milhões de pessoas estão a ser privadas de uma fonte crucial de notícias fiáveis. O desmantelamento da RFA é uma decisão injustificável que corre o risco de transformar regiões inteiras - como o Tibete, que é controlado pelo regime chinês - em verdadeiros buracos negros de informação. A RSF apela ao Congresso dos Estados Unidos e à comunidade internacional para que actuem em resposta a esta situação alarmante”.
Na China, a Radio Free Asia destaca-se por documentar violações dos direitos humanos no Tibete — uma das regiões mais fechadas do mundo em termos de informação noticiosa. Lhakpa Kyizom, correspondente da RSF no Tibete, defende que o encerramento do serviço tibetano da RFA terá “um impacto grave na forma como os tibetanos no interior do país recebem notícias sem censura, especialmente no seu dialecto local, uma vez que os serviços da RFA transmitem em três dialectos principais, chegando assim a uma vasta secção transversal dos tibetanos no interior do Tibete”.
Os serviços da RFA em birmanês, khmer, coreano e uigur também enfrentaram cortes significativos. Em Myanmar, o acesso às emissões da RFA está a tornar-se cada vez mais escasso, uma vez que o recente terramoto tornou o acesso a fontes de informação fiáveis mais urgente do que nunca. A rádio, segundo um correspondente da RSF no país, tem sido uma “tábua de salvação crucial”, especialmente quando a junta militar corta a internet. “Retirar um meio de comunicação tão importante durante uma catástrofe como esta não é apenas um ataque à liberdade de imprensa, é uma questão de vida ou morte. As pessoas precisam de saber onde encontrar segurança, onde está a ajuda e como se proteger”, acrescenta o correspondente.
A 27 de Março, a RFA apresentou uma acção judicial para restabelecer o seu financiamento, alegando que a ordem executiva que o cortou viola a lei federal. Antes disso, a emissora foi obrigada a despedir a maioria dos seus colaboradores. Apesar das circunstâncias, mantém uma cobertura noticiosa limitada em nove línguas através do site e redes sociais.
(Créditos da imagem: imagem retirada do site dos RSF)