Um rombo na BBC…
A quase lendária independência editorial da BBC, que tem sido apontada como modelo para os media públicos ocidentais, sofreu um importante rombo com a publicação recente, pelo jornal conservador The Daily Telegraph, de um relatório interno da emissora pública britânica com críticas ao serviço de notícias, que reacendeu a polémica da parcialidade .
Primeiro, foi o caso revelado pelo jornal de um documentário transmitido no programa Panorama , uma semana antes das eleições presidenciais norte-americanas, em novembro de 2024, no qual a BBC é acusada de ter editado diferentes partes de um discurso de Donald Trump, datado de janeiro de 2021 - quando apoiantes do líder republicano invadiram o Capitólio -, insinuando que o presidente norte-americano dissera aos seus seguidores que iria caminhar com eles para “lutar como demónios”, diferente do que então aconteceu.
Em palavras cruas, houve manipulação editorial, o que levou o responsável máximo da administração da BBC a reconhecer, numa carta dirigida ao presidente da comissão parlamentar de Cultura e Media, que “a forma como o discurso foi editado deu a impressão de um apelo directo à ação violenta” e a “pedir desculpas por este erro de julgamento".
Mas não foi caso único.
O comportamento editorial da BBC seria, também, contestado por Israel, que apontou incongruências graves na cobertura dos acontecimentos na Faixa de Gaza, designadamente, em relação ao número de vítimas.
Depois, o serviço árabe da BBC, tornou-se igualmente suspeito de seguir uma linha editorial distante da empresa-mãe, e com uma alegada parcialidade a favor do movimento radical palestiniano Hamas.
Por fim, o mesmo relatório revelou que jornalistas dedicados a cobrir temas relacionados com os movimentos LGBT - outra bandeira das esquerdas radicais - publicaram "uma série constante de histórias unilaterais", favorável aos direitos dos transsexuais, enquanto ignoravam histórias críticas em relação ao género, resultando numa "censura na prática".
Ou seja, “no melhor pano cai a nódoa”, e, mais uma vez, ficou demonstrado que mesmo num bastião que parecia inexpugnável, podem sobrepor-se militâncias ideológicas, contrariando os mais elementares princípios de isenção que eram a “imagem de marca” da BBC.
O desfecho, para já, foi a demissão dos principais responsáveis editoriais da estação – e um pedido de desculpas formal a Trump - o que não será suficiente se persistirem nas redacções os activismos e os desvios a favor de “causas”, que têm conquistado adeptos, tanto nos media como nas universidades.
Sem uma reestruturação corajosa em profundidade, a sementeira ideológica continuará a germinar, contaminando a informação noticiosa da BBC, e abalando a sua credibilidade.
Numa época propícia à desinformação, a BBC precisa de voltar a ser um exemplo de jornalismo de confiança, factual e descomprometido. De outro modo, todos teremos a perder, excepto os defensores do “quanto pior melhor”, em nome da sacrossanta luta contra o capitalismo e a “decadência” ocidentais...