Jornalistas agredidos no congresso da Reunião Nacional em Orléans
Quarenta e quatro sociedades de jornalistas alertaram, numa declaração conjunta, que a imprensa deve poder trabalhar livremente, depois de jornalistas do Mediapart e do Politis terem sido assediados por agentes de segurança e militantes durante o congresso da Reunião Nacional (RN), nos dias 24 e 25 de Outubro, em Orléans (Loiret).
Segundo o texto das sociedades de jornalistas, quatro jornalistas do Mediapart foram abordados e expulsos do salão de reuniões pela equipa de segurança do partido, quando faziam o seu trabalho.
Segundo relata o Le Monde, no meio de gritos como "Fora, Mediapart!", "um jornalista foi agarrado pela cintura, arrastado à força escada abaixo e impedido de filmar. Outro foi agarrado pela gola, quase estrangulado e, em seguida, violentamente empurrado para trás". Dois foram atirados contra a parede assim que saíram da sala. Alertada, a assessoria de imprensa da RN interveio, pediu desculpas e permitiu que os jornalistas regressassem ao congresso.
No dia seguinte, um repórter do Mediapart que filmava um protesto de membros da União dos Estudantes Judeus da França (UEJF) foi retirado à força pela segurança. Segundo o relato, um segurança empurrou-o escada abaixo e um activista do partido disse-lhe para "voltar para o seu país de origem". Com a segurança dos jornalistas comprometida, a direcção do Mediapart pediu-lhes que abandonassem o local do congresso.
Ao filmar o mesmo evento, um jornalista do Politis foi abordado por duas pessoas. Na confusão, um dos participantes bateu-lhe na mão e o telemóvel caiu ao chão. Quando pediu à segurança que lho devolvesse, foi imediatamente contido e retirado do local. Num vídeo recuperado do aparelho, segundo as sociedades de jornalistas, ouvem-se duas pessoas a perguntar de quem é o telemóvel, e uma delas a dizer: "É de um jornalista. Partam-no".
O texto lembra que Marine Le Pen usou o congresso como plataforma de lançamento da sua campanha presidencial e considera "inaceitável" que jornalistas sejam escoltados para fora e maltratados. Num Estado de direito, defendem os signatários, os partidos de todos os quadrantes devem permitir que a imprensa, que serve todos os cidadãos, aceda aos seus eventos sem dificultar ou brutalizar o seu trabalho.
A declaração é subscrita por sociedades de jornalistas e de redactores de órgãos como Politis, Mediapart, Le Monde, Le Figaro, entre outros.
(Créditos da imagem: Unsplash)