IPI pede investigação a ataques contra jornalistas que cobriam protesto
O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) condenou os ataques contra jornalistas que cobriam um recente protesto violento na Roménia e apelou às autoridades para que os responsáveis sejam identificados e levados a tribunal.
Os incidentes ocorreram a 15 de Setembro, durante uma manifestação não autorizada de agricultores e grupos de pastores em frente ao edifício do governo, no centro de Bucareste. Grupos de extrema-direita juntaram-se ao protesto na Praça da Vitória e geraram-se confrontos com a polícia de intervenção, com arremesso de pedras e outros objectos. Pelo menos três jornalistas ficaram feridos e necessitaram de tratamento médico.
O IPI registou pelo menos seis ataques contra, no mínimo, oito jornalistas que acompanhavam a manifestação. Estão em causa agressões físicas e verbais, assédio sexual, ameaças e destruição de equipamento, atribuídos a manifestantes violentos. Os casos foram inseridos na plataforma Mapping Media Freedom (MapMF).
Entre as vítimas estão a jornalista da Realitatea Plus, Cristiana Chițu, que foi empurrada e agredida por vários homens com o rosto coberto, e o operador de câmara, Ruben Lighezan, atingido na cabeça e no pescoço pelos mesmos homens. Ambos precisaram de cuidados médicos. Um operador de câmara do canal Digi24, cujo nome não foi divulgado, foi agredido com um soco no rosto e levado ao hospital para exames.
Além das agressões, o IPI destaca que a Polícia de Bucareste pediu ao meio independente HotNews que entregasse as imagens do protesto como prova numa investigação criminal. O órgão de comunicação recusou, invocando o direito dos jornalistas à protecção das fontes.
A 22 de Setembro, o Ministério Público junto do Tribunal de Bucareste anunciou que estava a investigar actos de violência física contra dois jornalistas, em colaboração com a Polícia de Bucareste. Até 23 de Setembro, o Ministério Público tinha ordenado a detenção de 27 pessoas, investigadas por crimes cometidos durante o protesto.
ActiveWatch aponta discurso de ódio
A organização romena de defesa da liberdade de imprensa ActiveWatch exigiu investigações criminais imediatas, maior atenção das forças de segurança à protecção dos jornalistas em manifestações de rua e a condenação dos ataques por parte das autoridades públicas e dos actores institucionais e políticos. Segundo a ActiveWatch, as agressões resultam de repetidos discursos de ódio contra jornalistas e de tentativas de desacreditar os órgãos de comunicação social.
Os ataques em Bucareste são os mais recentes de uma série de incidentes dos últimos anos na Roménia, em que jornalistas que cobriam protestos sofreram assédio físico ou agressões. Incluem-se vários casos registados em 2025, relacionados com as eleições presidenciais de 2024, que foram anuladas.
O IPI acompanha, através do MapMF, o número crescente de ataques a jornalistas na Roménia por parte de grupos de extrema-direita. A plataforma, a maior base de dados pública da Europa sobre violações da liberdade de imprensa, é coordenada pela Media Freedom Rapid Response (MFRR), consórcio de que o IPI faz parte.
(Créditos da imagem: Unsplash)