Um artigo do Instituto Poynter aborda como os jornalistas podem lidar com stress, medo e trauma no trabalho, seja por despedimentos em massa, violência, prisões ou cobertura de crises nas suas próprias comunidades. A terapeuta e ex-jornalista Siobhan Flowers oferece orientações práticas para ajudar os profissionais a compreenderem e gerirem as suas emoções em tempos turbulentos na indústria dos media

Flowers destaca a importância de reconhecer os sentimentos sem culpa: “Se sentir que há uma mudança de tom ou que algo não está como de costume, é importante explorar o que está a sentir ou a vivenciar”. Aconselha a encarar o medo com curiosidade, perguntando “mesmo que?” em vez de “e se?”, para compreender o que está sob controlo e criar planos concretos que ajudem a neutralizar o medo, como, por exemplo, melhorar relações profissionais ou preparar-se para possíveis despedimentos. 

No caso de jornalistas que cobrem traumas nas suas próprias comunidades, Flowers recomenda manter uma distância entre o trabalho e a vida pessoal, ainda que curta, e praticar técnicas de grounding para lidar com pensamentos ou emoções intrusivas. A terapeuta alerta para o risco do stress crónico, acumulado pela exposição constante a crises: “Nós deixamos [o stress] entrar e libertamo-lo. Mas é o stress crónico que se torna problemático”, destacando que o corpo humano está mais preparado para lidar com o stress agudo, de curta duração, do que com pressões contínuas. 

Entre as estratégias sugeridas estão: 

  • Estabelecer limites claros no trabalho; 
  • Fazer pausas mentais intencionais ou “micro-momentos”, dedicados apenas a respirar e reconhecer os sentimentos; 
  • Identificar e partilhar emoções com colegas de confiança ou com profissionais de saúde mental, garantindo suporte adequado. 

Para as redacções, Flowers defende que é essencial criar um ambiente de paciência e normalidade, oferecendo espaços seguros onde os jornalistas possam conviver e validar perspectivas. “Mesmo a pergunta: como posso ajudá-lo? O que precisa agora? Só a ideia de ser reconhecido, sentir-se ouvido, ter esses sentimentos validados realmente ajuda muito”, afirma. A terapeuta alerta que evitar conversas difíceis pode ser mais prejudicial do que enfrentá-las directamente.

(Créditos da imagem: Unsplash)