O Instituto Internacional para a Democracia e Apoio Eleitoral (International IDEA) aponta que a liberdade de imprensa se deteriorou em 25% dos países analisados, marcando o maior declínio global desde 1975, ano em que a organização iniciou a recolha de dados sobre o estado das democracias. 

O alerta consta do Relatório Global sobre o Estado da Democracia 2025 (GSoD), que analisa indicadores em 173 países. O documento aponta para um agravamento da repressão à imprensa livre em todas as regiões do globo, incluindo a Europa, onde se verificaram 15 dos casos de retrocesso. 

A queda da liberdade de imprensa é transversal: 15 países africanos, 15 europeus, seis nas Américas e seis na Ásia e Pacífico registaram recuos significativos. O relatório identifica exemplos como o uso de software de espionagem contra jornalistas e activistas em Itália ou o encerramento da emissora pública da Eslováquia em 2024, classificado por meios de comunicação independentes como uma forma de interferência política. 

No caso da Rússia, o desempenho democrático deteriorou-se ainda mais com o prolongamento da guerra na Ucrânia, sobretudo ao nível das liberdades civis e da repressão à oposição política. A Bielorrússia e a Geórgia também são referidas como exemplos de regimes cada vez mais autoritários. 

Ainda que soem alguns sinais de alarme, a Europa mantém-se como a região com melhor desempenho democrático globalmente. A maioria dos 45 países europeus analisados apresenta níveis elevados ou médios de funcionamento democrático, embora o relatório sublinhe que nos últimos cinco anos se tenha verificado uma deterioração nas liberdades civis e na credibilidade eleitoral, especialmente na Europa de Leste. 

Portugal também é mencionado no relatório, com sinais de alerta relacionados com o aumento da desigualdade económica e a deterioração da liberdade de imprensa. A referência insere-se num quadro mais vasto de fragilidade crescente nos pilares democráticos, mesmo em países considerados estáveis. 

De forma geral, o relatório destaca que um em cada três países registou recuos na liberdade de imprensa entre 2019 e 2024, sinalizando uma tendência preocupante de erosão democrática, num contexto global marcado por crises políticas, conflitos armados, desinformação e autoritarismo crescente.

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