Um texto publicado pelo American Press Institute (API) defende que as notícias locais têm um papel decisivo na renovação da vida cívica, especialmente ao envolverem jovens das gerações Z e Alfa, cuja ligação às instituições não se constrói automaticamente. Uma cultura cívica saudável exige práticas quotidianas (informar-se, debater e participar na comunidade) que dependem de um sentido de pertença que precisa de ser cultivado desde cedo.

Segundo a API, os desafios da sustentabilidade do jornalismo local e da saúde cívica estão profundamente interligados. Estudos indicam que os jovens confiam mais em instituições com as quais têm contacto directo e que demonstram relevância nas suas vidas. Quando os jovens crescem sem relação com os media locais, estes tornam-se distantes ou até antagonistas, abrindo espaço para outras vozes, como influenciadores ou sistemas baseados em IA, que podem não promover o envolvimento cívico local. 

O texto alerta que não ter uma estratégia de envolvimento juvenil representa um risco elevado para os media locais: perde-se a oportunidade de formar valores, hábitos informativos, lealdade à marca e futuros defensores da liberdade de imprensa. Apesar das limitações de recursos, existem inúmeros exemplos de boas práticas nos Estados Unidos, como a valorização das conquistas dos jovens, o uso de plataformas onde eles já estão, a inclusão das suas vozes na cobertura jornalística, a eliminação de barreiras de acesso à informação e o desenvolvimento de competências cívicas e multimédia. 

A API sublinha que o objectivo não é criar grandes programas educativos paralelos, mas sim integrar os jovens no ecossistema cívico já existente, através de parcerias comunitárias e estratégias intencionais de envolvimento. Nesse contexto, anuncia a Cimeira de Notícias Locais da API sobre Confiança Juvenil e Resiliência Cívica, a realizar-se nos dias 25 e 26 de Março, com o propósito de identificar modelos inovadores, parcerias intergeracionais e novas formas de posicionar os media locais como motores de participação cívica e formação de líderes para comunidades. 

A API conclui que, com este encontro, espera “gerar um impulso não só para o ‘alcance juvenil’, mas também para reinvestir — para não perdermos — uma geração de afinidade e hábito cívico”. 

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