O papel da imprensa regional para evitar desertos noticiosos
A importância da comunicação social regional e local para a democracia e para a coesão territorial esteve no centro do debate “O papel da comunicação social regional”, realizado recentemente em Leiria.
O encontro reuniu dirigentes associativos e responsáveis políticos para discutir os desafios da sustentabilidade do sector e as medidas consideradas necessárias para reforçar os media de proximidade.
António Leitão Amaro, ministro da Presidência, destacou o papel essencial da comunicação social regional no funcionamento democrático das comunidades locais. “A comunicação social regional e local livre e independente é uma condição da democracia local”, afirmou o governante, acrescentando que estes órgãos são fundamentais “para evitar desertos noticiosos, garantindo que o que acontece por todo o território é contado, discutido, escrutinado e ouvido”.
Durante a intervenção, Leitão Amaro defendeu que o Governo tem procurado transformar intenções em medidas concretas de apoio à comunicação social regional. “Passamos das convicções à acção”, declarou.
Segundo o ministro, entre as medidas implementadas encontram-se a duplicação do porte pago, o reforço do apoio à distribuição, a publicidade institucional associada a projectos financiados por fundos europeus e a publicação de deliberações autárquicas em jornais e rádios locais. O governante referiu ainda o alargamento dos tempos de antena nas rádios regionais, o reforço da agência Lusa e outras iniciativas dirigidas à sustentabilidade económica do sector.
O debate decorreu num contexto de crescente preocupação com a viabilidade financeira dos meios regionais, confrontados com a quebra das receitas publicitárias, alterações nos hábitos de consumo de informação e forte concorrência das plataformas digitais.
Nos últimos anos, várias associações do sector têm alertado para o risco de desaparecimento de órgãos de comunicação social locais, sobretudo em territórios do interior, sublinhando o impacto que isso poderá ter na pluralidade informativa e no escrutínio democrático a nível regional.
(Créditos da imagem: António Leitão Amaro - imagem retirada do site da Associação Portuguesa de Imprensa)