Financiamento, desinformação e IA preocupa jornalistas
A sustentabilidade económica do sector, a propagação da desinformação e o avanço da inteligência artificial sem regulação clara são hoje as principais fontes de preocupação entre jornalistas. A conclusão resulta de um inquérito internacional promovido pela empresa de software de relações públicas Muck Rack, que auscultou mais de mil profissionais da área.
Realizado entre 30 de Janeiro e 2 de Março de 2026, o estudo reuniu 1044 respostas, das quais 897 foram consideradas válidas após um processo de verificação e limpeza de dados. O objectivo foi traçar um retrato do estado actual do jornalismo e das expectativas quanto ao seu futuro, com base na experiência de quem produz diariamente informação.
Os resultados indicam que a desinformação e a falta de financiamento surgem empatadas como as maiores ameaças ao sector, ambas apontadas por 32% dos inquiridos. Logo a seguir, destaca-se a preocupação com o desenvolvimento de inteligência artificial “sem controlo”, referida por 26% dos participantes — um aumento de oito pontos percentuais face a avaliações anteriores.
Apesar dos receios, a adopção de ferramentas de inteligência artificial é já uma realidade generalizada nas redacções. Cerca de 82% dos jornalistas afirma recorrer a este tipo de tecnologia, sendo o ChatGPT utilizado por 47% dos inquiridos e o Gemini por 22%.
No que diz respeito às práticas profissionais, o estudo revela uma diminuição da dependência das redes sociais como fonte de informação. Apenas 21% dos jornalistas afirma utilizá-las para fins de reportagem, o que representa uma queda de 12 pontos percentuais desde 2024. Ainda assim, estas plataformas continuam a desempenhar um papel relevante na difusão de conteúdos, sendo utilizadas por 45% dos profissionais para promover o seu trabalho.
A relação com o sector das relações públicas também foi analisada. Segundo os dados, 86% dos jornalistas reconhece que propostas oriundas desta área inspiram, pelo menos ocasionalmente, a produção de notícias. No entanto, a grande maioria (88%) garante rejeitar conteúdos que não se enquadrem na linha editorial ou no tema em causa.
Quanto à confiança nas plataformas digitais, o LinkedIn surge como a mais credível, com 58% de avaliações positivas. Em contraste, a desconfiança em relação ao TikTok aumentou, sendo apontada por 61% dos inquiridos, enquanto o interesse pelo Bluesky registou uma quebra de 14 pontos percentuais.
O inquérito foi distribuído por correio electrónico a jornalistas registados na base de dados da Muck Rack, tendo a maioria das respostas origem nos Estados Unidos, com participação adicional de profissionais do Reino Unido, Canadá e Índia.
Os responsáveis pelo estudo alertam, contudo, para algumas limitações metodológicas. Foram excluídas respostas consideradas de baixa qualidade — como duplicados, spam ou contributos superficiais — e, devido a alterações na formulação das perguntas, os resultados não devem ser directamente comparados com edições anteriores. Acresce ainda que os dados salariais dizem respeito apenas a jornalistas a tempo inteiro nos Estados Unidos.
(Créditos da imagem: Freepik)